Queria te contar como fica a minha casa quando você não vem, mas não sou dessas mulheres que transferem as suas carências e transformam em plágio o coração. Se você não chega, não é porque a porta está fechada ou porque a cortina se perdeu. O que se perde são os rumores, os amores de cada um. Te escrevo, agora, porque me ocorre que nenhum de nós sabe quando é a hora de partir e a hora de ficar. Criamos projetos demais, expectativas demais, loucuras demais e acreditamos, de forma um tanto tola e quixotesca, que só esse tipo de romance é que perdura.
Tolices ®
09/11/2009 por marjoriebierSó porque eu estou feliz…
07/11/2009 por marjoriebierBeirut numa das minhas músicas favoritas.
Bom final de semana a todos!
Aos vivos
06/11/2009 por marjoriebierBlog também é cultura.
Hoje tem o lançamento do livro do Bier, meu pai, em Santo Ângelo.
Ontem, ele autografou na Feira do Livro de Porto Alegre e hoje, para encerrar com chave de ouro a Semana Cultural e a Semana Leverdógil de Freitas, fará a sessão de autógrafos no Sebo café.
A quem interessar, o mailing com o serviço.

Verdade ®
05/11/2009 por marjoriebier
Invasões bárbaras ®
04/11/2009 por marjoriebierHoje acordei Clara. Tinha quatro anos a menina quando a gente se conheceu. Costumava usar uma faixa cor de rosa prendendo os cabelos para trás. Falava pouco, mas vigiava a todos com suas bolitas cor de mel. Da miniatura do seu tamanho, observava as cores de outros papéis. Desenhava flores quando estava feliz, estrelas quando sentia saudade do pai e se escondia quietinha quando não queria brincar.
Foi minha aluna, a Clara. Sorria sempre que me via chegar. Tinha seus brinquedos favoritos, seus colegas favoritos e não gostava de cantar. Gostava de ouvir histórias, de se enxergar Lili, de inventar nomes para os insetos que existiam naquele jardim.
De manhã, costumava descansar. Tirava seus sapatos pequenos, sua fralda com bico de dentro da bolsa e sentava no colo para se aninhar. Dormia leve, mansinho, até a hora de brincar.
Entre gangorras e jasmins, colhia pedras, recolhia flores, regava a horta repleta de alecrim. Havia experimentado a goiaba que tinha acabado de cair do pé. A cara de nojo, a manga da blusa limpando a boca e um escandaloso “bleh!”.
Quando se aproximava a tarde, Clara começava a contar. De um a cinco para sentar, de sete a oito para recortar, de seis a dez para pintar. Perdida no seu relógio imaginário, inventava mundos onde só ela podia voar. Criava castelos, fadas, bruxas e até um monstro bom que a ensinava a abraçar. E ela apertava os colegas e apertava os empregados e apertava a mim até ninguém mais aguentar.
Não gostava da hora de ir embora. Ficava ali, esperando sua vez de se arrumar. Entre agendas, mochilas e roupas espalhadas pelo chão, eu observava Clara observar. Tentei, inúmeras vezes, adivinhar o que tanto fazia aquela menina pensar. Ela escovava os dentes, organizava suas próprias coisas e ficava a me olhar.
Certa vez, no tumulto do fim da tarde e me organizando para ninguém se atrasar, vi Clara, sorrateira, se aproximar. Parou a uns dois passos de mim, deu três soquinhos no ar, cruzou os braços e ficou a me olhar. Sorri e continuei a escrever as minhas longas considerações. Três soquinhos no ar, braços cruzados, pé batendo no chão e um furioso olhar. Fingi não ver para não tirar a atenção do menino que esperava para se despedir. Um passo a frente, três soquinhos, a mão na cintura e a frase para amar:
- Estou tocando a “pancainha”, não vai me deixar entrar?!
(Clara deve estar, hoje, com nove anos. Nunca mais a vi. Nunca mais tive notícias. Nunca mais a esqueci.)
Apenas mais uma de amor ®
03/11/2009 por marjoriebierVocê vem me falar de amor de uma forma que comove. E eu adoraria falar do amor como se fosse a sua resposta. Mas sou daquelas mulheres que calam, que escrevem tudo o que deveria ser falado. Sei que você esperou por cada uma das minhas palavras, mas elas estavam ocupadas vigiando impulsos e foram traduzidas como descaso. Não te peço nada além de compreensão. Apenas pense em mim como alguém que alcançou a mesma medida do que você sentiu, as mesmas dúvidas, a mesma timidez diante do desconhecido, a mesma saudade. O que escrevo, agora, parece covarde, eu sei. Você já deve ter lido, ouvido ou visto em filmes por aí e, se não me engano, ficou sonhando em me ver ultrapassar os limites, audaz e febril como quando eu não sabia do que era capaz. Por tudo o que ainda vamos viver, pelo tempo que não verei você sorrir, pela saudade que vou sentir da sua voz, por todo esse tempo em que você andará longe de mim e eu de você, pelo tamanho da nossa descrença, pela resistência da nossa solidão, acredite em mim: te amei mais do que pude, nunca te amei menos que a mim.
Crônicas de Acampamento ®
02/11/2009 por marjoriebier
Eu fui. Finalmente, eu fui no Acampamento da Poesia. Há alguns anos sou convidada e, como morava em Porto Alegre, nunca havia conseguido comparecer. Eu fui. E digo, seguramente, se não foi a melhor experiência, com certeza foi (eu fui!) uma das melhores vividas na área literária.
Fui. Eu e mais poetas vindos de todo o Brasil. Conheci gente que eu admiro. Gente que, da mesma forma, acompanha o meu trabalho nesses treze anos e eu sequer sabia. Pessoas com o olhar rimado sobre a vida, a percepção de retina descortinada, a estranheza do que, depois de estender os braços, se perde em saudade.
Sim, eu fui. Fui bem recebida pelos anfitriões (Jandira e Simon), fui bem abraçada, bem beijada, bem motivada a continuar. Fiz pouca poesia. As palavras se escondem entre barracas quando precisam se aventurar. Mas fiz contos, crônicas e amizades. Troquei o verbo calado pelas risadas, pelo aprendizado contínuo nos causos de quem teima em escrever.
Fui convidada a experimentar delícias, a desnudar as mãos, a caminhar em campos que não existiam além do meu jardim. Eu fui. De pés descalços e chapéu de palha, eu fui. Pisei na terra, sujei as pernas, abandonei o wireless para me encontrar. Exatos três dias conectada apenas com a verdade de cada um.
Você sabe, eu fui. Fui cansada depois de uma semana repleta de protocolos e considerações. Fui de carona. Fui aquecida pelo fogo de chão. Fui para sentir a falta do depois. Eu fui e conto o segredo: no acampamento, a vida flui.
(Foto de Solange B.)
Tudo de bom! ®
01/11/2009 por marjoriebierOi, gente boa!!!
Quase cinco da tarde e eu chegando em casa depois de um final de semana agitado.
A abertura da exposição foi linda. Emocionante, para ser mais objetiva. O acampamento foi igualmente lindo e emocionante, mas exige que eu fale mais a respeito para que todos entendam a categoria do evento. Mas não farei isso agora. Preciso de banho, nebacetin e cama. Amanhã, mais limpa e menos cansada, conto os detalhes desse acampamento que veio ao mundo para ensinar o que é saudade.
Hasta!
Gente é pra brilhar! ®
30/10/2009 por marjoriebierComeça hoje a Semana Leverdógil de Freitas, em Santo Ângelo, RS. A abertura acontecerá às 18h, no Museu Dr. Olavo Machado. Na ocasião, além da presença de autoridades, familiares e amigos do ator, será oferecido um ágape para confraternizar o encontro.
Leverdógil de Freitas era jornalista e ator. Nascido em Minas Gerais, chegou em Santo Ângelo ainda jovem. Costumava dizer que tinha nascido mineiro, mas que era santo-angelense sem discussão. Recebeu o prêmio máximo do cinema nacional, no festival de Cinema de Gramado de 1995, com o filme Deus Ex-Machina. O filme recebeu, além desse, mais 11 prêmios.
Faleceu em 03 de novembro de 1998, em Porto Alegre, por decorrência de problemas cardíacos.
A exposição que o homenageia (figurinos, fotografias, troféus, adereços, depoimentos e presentes) fica aberta até o dia 16 de novembro, das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Três momentos de consagração: Madame Hortense, Ich Feuerbach e elenco de Deus Ex-Machina.
Também hoje, após o ágape, parto para o 8º Acampamento da Poesia. Mais de 40 escritores do RS se encontrarão para debater literatura, arte e cultura, bem como produzir textos para a publicação de mais uma edição do livro Afluências que, esse ano, tem como tema, os campos.
Volto segunda-feira com novidades.
Bom final de semana a todos e prestigiem a Semana Leverdógil de Freitas. Está imperdível!
Maldade ®
29/10/2009 por marjoriebierEle
diz que sou má
.
Eu
ainda sou Mar