Intangível ®
- Eu nunca espero respostas. Confesso: espero que essas deixas sejam sempre muito bem aproveitadas, que sejam um bom motivo para a criatividade, nada mais que isso. Você diz que vai embora e não sai do meu pensamento. Fica ali, brincando com cada uma das palavras. Nunca vi você no desembarque de Congonhas… Como será que é? Será que é lá que se esconde uma das portas de entrada e saída do sonho, entre dois ou mais sonhos?
- Eu não sei. Você me confunde!
- Sou seu sonho? Algo como: quando você acordar, eu estarei ao seu lado?
- Pode ser que seja. Tomara. O que sei mesmo é que eu sou. Existo. Só isso é fato.
Não saber e precisar parece ser o paradoxo da transmodernidade.
22 comments 09/02/2010
Anima ®
Hoje começa uma jornada de trabalho surreal demais até para mim. Desafio o tempo e a disposição para cumprir uma agenda que, sabe-se lá quem fez, deixa-me de cabelos em pé.
Vou para a estrada daqui a exatos 45 minutos e só paro depois de revisar e aprovar todos os cases a que fui contratada. Visitarei algumas cidades da região, comerei muito e rápido em diversos fast foods, dormirei tarde e a caminho da capital, trocarei de roupa em aeroportos e voltarei quando Chronos deixar.Fiquem bem. Eu ficarei.
Anima mundi, aqui vou eu!
20 comments 08/02/2010
Cortesia com chapéu alheio
Houve um tempo de minha vida em que não adquiri simplesmente nenhuma calça nova. Quase nenhuma meia, uma ou outra cueca. Um tempo em que não adquiri nenhum hábito realmente novo, não contraí vício por nenhuma banda ou bebida nova – e olha que minha banda preferida acabou-se nessa época.
Nesse tempo, lí muito menos do que lia antes, e antes eu era um universitário preocupado em fazer tudo que desse tempo. Quem lê pouco, escreve pouco. Não foi propriamente uma parada no tempo, uma época congelada, mas por um período eu acreditei nessa coisa de ser bacana.
Ser bom de coração, ser simples e tal, relaxar diante da vida. É gostoso, é como parar pra tomar um ar antes de chegar no topo da montanha (eu nunca estive no topo de nenhuma montanha, ok, Cristo). Mas engana um pouco, se eu pudesse dar conselho a algum miúdo, diria pra nunca acreditar em ser um cara bacana, porque a gente é um animal estranho e tem “conceitos”, e o conceito do que você é nunca é claro.
O miúdo guri merece descobrir suas verdades sozinho, ficarei quieto. Mas não é um caso de pessimismo. É um alerta. Quando “você é você mesmo” (que paradoxo…), você só tem um tempo, um espaço, uma referência: você. E ninguém gosta tanto de você assim. Participar das coisas saindo da figura personal é generoso e necessário.
Conselho até pra gente adulta: apostas, com seu coração, não. Antecipe-se. Dê suas reboladinhas, atenha-se a atividades periféricas antes que suas cuecas envelheçam. Porque no mundo, essas coisas se invertem. O quão bacana você é deixa de ser visível quando é preciso estar lendo um livro novo e ouvindo uma banda nova. Quando é preciso mudar alguns hábitos e tomar atitudes que não venham do coração (crescer é isso, afinal, e só sua mãe te quer criança pra sempre).
Coração não é prefácio, não é cartão de visita. É intimidade, é vinho, é momento nobre. Houve um tempo em minha vida que parece intacto. Um tempo em que ao invés de comprar meias, dirigir um carro, me pós-graduar, eu fiquei dialogando com meu coração, prometendo a ele coisas que eu nunca soube, coisas que eu perdi, e coisas das quais eu nunca vou me acostumar em não ter.
*
É do Leandro Iamin, de São Paulo, o texto de hoje.
*
Quer ver seu trabalho aqui também?!
Mande um e-mail com foto, dados e o texto, claro, para
marjorie.bier@gmail.com que eu me encarrego resto.
23 comments 07/02/2010
Posições Sexuais
Esse post quem fez foi o Régis Antônio Coimbra, de Porto Alegre.17 comments 06/02/2010
Da leveza e do riso ®
Depois de você, fico assim, pertinho do céu. Feliz, claro. Hoje é sexta-feira e, embora não esteja aí e nem você aqui, eu ainda planejo mudar algumas palavras. Mas, também, não preciso mudar de repente, se é que minhas vírgulas têm essas variadas dimensões. Lembra que te contei sobre as aulas de dança? Ontem, um dos exercícios que fiz com o instrutor foi intervir no tempo/espaço do simples andar. Adiar, uma fração de segundo, o toque do pé no chão. Criar uma espécie de suspensão, como sugere o nome daquele livro que você tanto gosta. E essa suspensão, aparentemente tão vazia, revelou-se amplamente cheia de pulso e circulação. Arriscaria dizer que tem até certo carinho – muito carinho – e, ousando mais, um punhado de amor. A-mor. Que loucura! É claro que acredito no que você e no que eu sentimos e acredito mais ainda naquela pergunta que você fez primeiro e que eu nunca consegui responder: você existe?
28 comments 05/02/2010
Status Quo ®
Enquanto a população mundial se diverte em praias botecos cruzeiros estradas quiosques piscinas boates paragliders shows esteiras campings fazendas noitadas aeroportos chiliques ingressos peladas caipirinhas churrascadas filmes sorvetes videokês spas restaurantes teatros biquinis aeromotores exposições luaus cervejadas shoppings iates cascatas pagodeiras motéis e gargalhadas, eu, réles mortal, fico trancafiada numa colorida e quente sala de criação.
Férias, palavra de luxo. Com sorte, em alguma outra encarnação.
32 comments 03/02/2010
Horizontina
Uma mulher belíssima
Vivia a dançar na beira do mar
Sonhando nuvens, músicas, ritmos, sons
Rodopiando sorrisos contentes
Afinal o sol e a lua
Aqueles dois
Inteiros
Beijam-se
Qual
Colibris e Quero-queros
Múltiplos raios
Solares lunáticos
Iluminando os passos daqueles
Tocadores de cordas e flautas
Entoando risos, mágicas, cadências sutis
Vivia a cantar na floresta
Um homem indelével
Pleno
Leia, agora, na sequência inversa.
*
Quem fez o post de hoje foi a Adriana Ferreira – a boniteza aqui do lado – de Porto Alegre.
Você também pode me ajudar a manter o blog durante as férias. Basta enviar seu material para marjorie.bier@gmail.com que eu me encarrego do resto.
Não esqueça de mandar os dados para os créditos.
22 comments 03/02/2010
Para Laura
Nem sempre se devia estar na janela fumando aquele cigarro. Nem sempre se devia olhar as pessoas andando nas ruas. Nem sempre se devia sair de casa meia hora depois e ver uma tragédia, mas nem sempre se devia sair meia hora antes e fazer parte dela. Nem sempre se devia estar em um orelhão ligando para quem se ama. Nem sempre se devia sair de um carro dentro de um estacionamento. Nem sempre se devia escutar tanto o que os outros têm a dizer, mas nem sempre o que os outros dizem não faz sentido. Nem sempre se deve acreditar na vida, mas nem sempre ela é pouco previsível. Nem sempre se deve estar naquele lugar. E nem sempre a vida vale tanto. Nem sempre tudo parece ser normal. E, sempre, a vida é muito frágil. Mas cabe no verbo. E vale de ser. E, sempre, vem a chuva e lava tudo. Leva tudo.
Às vezes, Laura, é preciso ter fé e ser um fazedor de sentidos. E não tem segredo. Mas não conte a ninguém.
Um abraço,
Esther
*
Este texto foi enviado pela querideza da foto, a Renata Carneiro de Oliveira, de Belo Horizonte. Como ela, você também pode ver seu material publicado aqui. Basta enviar um e-mail com texto, foto ou desenho para marjorie.bier@gmail.com que eu me encarrego do resto. Não esqueça dos dados para os créditos.
22 comments 02/02/2010
Larissa não mora mais aqui
Montagem em cartaz no 11º Porto Verão Alegre, Larissa não mora mais aqui apresenta a história do Edifício Comendador Siqueira, criado nos anos 50 como último grito na construção civil.
Apoiado na euforia de um Brasil campeão do mundo, foi revestido de todas as regalias que o ufanismo utópico podia oferecer. Elevadores com pantográficas, recepção com amplos arcos, grandes corredores, quartos imensos e pé direito alto marcaram o uso exorbitante dos espaços.
Os primeiros moradores viveram o apogeu do prédio. Aos poucos, a decadência toma conta e o mar de favelas cresce em torno do edifício. Os aluguéis caem e os novos inquilinos tentam manter a dignidade de suas vidas nos dias atuais.
Surgem, então, novas propostas do mercado imobiliário. O edifício é vendido e demolido para criação de um ultramoderno centro de negócios, totalmente auto-sustentável e ecologicamente correto. A história dos últimos moradores do edifício combina com um retrato da nossa sociedade: ilhada, oprimida, falida, moralmente indecisa e assustada.
Com texto e direção de Júlio Conte e realização da Cômica Cultural.
Data: 2, 3 e 4 de fevereiro
Horário: 21h
Local: Teatro Renascença
Endereço: Avenida Erico Verissimo, 307 – Porto Alegre – RS
Telefone: (51) 3221.6622, ramal 232/241
Ingresso: R$ 15,00 normal – R$ 10,00 (idosos). No teatro, os bilhetes custam, respectivamente, R$ 20,00 e R$ 10,00.
Pontos de venda:
Loja 114 da Praça de Alimentação do Prédio C do DC Shopping
Shopping Praia de Belas, lojas Multisom dos shoppings Moinhos e Barra Shopping Sul e da Andradas
Lojas Pé de Meia dos shoppings Iguatemi e Total.
*
Obrigada Adriana Ferreira, de Porto Alegre. Adorei a carta!
22 comments 01/02/2010
Sweet Jardim ®
Uma das coisas que mais chama atenção na cantora folk Tiê é a sua ousadia. Essa paulista de 28 anos, ex-modelo e que já foi integrante da banda do cantor Toquinho, encanta com seu primeiro disco chamado “Sweet Jardim”. Valorizando composições românticas em vários idiomas, a moçoila privilegia a sua voz suave com acordes simples e agradáveis arranjados no violão.
A cantora criou um estilo intimista, passeando por histórias de melancólicas partidas e grandes sopros de esperança. Assinado eu, a faixa de abertura do disco, é muito mais que um relato, é uma carta de despedida tristemente delicada e que se contrapõe a Dois, bem mais otimista (“tem espaço de sobra no seu coração. Quer levar minha bagagem?“). Já na música Passarinho fica impossível não perceber a influência de Space Oddity, de David Bowie.
A musicista se arrisca em outras línguas como em Aula de francês – composição em conjunto com a professora e amiga Nathalia Catharina – e Stranger But Mine, ambas muito acessadas através do projeto Música de Bolso. Embaladas por um delicioso piano, encontramos Chá Verde e A Bailarina e o Astronauta. Sweet Jardim, a faixa título que encerra o trabalho, é de uma delicadeza alegre e nos embala ao som de violões ciganos que muito nos lembram a banda Beirut.
Tiê, numa época de cultura musical pasteurizada, chega para nos provar que simplicidade ainda é uma alternativa inteligente para quem faz MPB.
24 comments 30/01/2010