Gorjeta ®

02/12/2009 por marjoriebier

Vou chegar na hora de sempre

Sentar de frente pro bar

Cumprimentar os conhecidos

E deixar o dia acabar

.

Vou pedir uma cerveja gelada

Olhar os ponteiros na parede

Imaginando um outro homem

Me esperando em algum lugar

.

Vou rir bem alto e muito

Manter um ar distante

E esquecer que você não vem

.

Vou perguntar pela sua risada

E se sentir saudade

Deixar uma gorjeta pra compensar

Abraçando Galeano ®

01/12/2009 por marjoriebier

Helena encontrou um par de trevos entre as folhas do seu livro de estimação. Aflita, não sabia que resquício era aquele tão vazio de recordação. Do outro lado da cidade, José Luís colhia flores. Recolhia vestígios de insetos e os guardava entre volumes antigos no sebo da sua irmã. A irmã sabia. Comungava com José Luís a surpresa premeditada e a verdade nunca vista. Helena colecionava espantos. Carregava, entre braços e olhos, os sinais de sua vida já cansada.  E temia os códigos e abandonava os rastros e se despia da coragem que em vida lhe foi dada. José Luís colhia pausas. A irmã, cúmplice silenciosa, plantava as vogais por Helena abraçadas.

Da escassez ®

30/11/2009 por marjoriebier

Leonera – 2008 – Argentina

29/11/2009 por marjoriebier

Julia amanhece em seu apartamento rodeada pelos corpos ensangüentados de Ramiro e Nahuel. Ramiro ainda está vivo; Nahuel está morto. Ambos, de forma confusa e simultânea foram seus amantes. Julia está grávida de um deles. Ela é enviada para uma unidade penitenciária onde estão mães e grávidas sentenciadas. Duas personagens entram em sua vida. Uma é Marta, companheira de carceragem que já criou dois filhos dentro da prisão e que se transforma em guia e conselheira; a outra é Sofía, sua própria mãe, uma personagem ambígua com a qual Julia se reencontra depois de muitos anos. O processo judicial que investiga a morte de Nahuel identifica dois possíveis culpados: Julia e Ramiro, ambos presos em diferentes penitenciárias. O filho de Julia nasce e recebe o nome de Tomás. Julia decide visitar Ramiro na unidade masculina onde ele está preso. No tribunal, o depoimento de Ramiro será crucial para determinar a sentença de Julia.

diretor
Pablo Trapero
roteiro
Alejandro Fadel, Martín Mauregui, Santiago Mitre, Pablo T.
fotografia
Guillermo Nieto
montagem
Ezequiel Borovinsky, Pablo Trapero
música
Intoxicados, Chango Spasiuk, Los Palmeras
elenco
Martina Gusman, Elli Medeiros, Rodrigo Santoro
produtor
Pablo Trapero, Youngjoo Suh
produtora
Matanza Cine, Cineclick Asia (Fantom), Patagonik

Da rede

28/11/2009 por marjoriebier

Todos sabem, sou blogueira desde o século passado e não há Cristo que diga o contrário. Vivo jogando bobagens na rede, rindo das minhas próprias desgraças e me divertindo com a generosidade de quem também divide suas dores e suas percepções de mundo.

Estar na rede tem suas gratas surpresas. Além de ler, ser lida e, mesmo assim, permanecer anônima, a gente acaba conhecendo umas figuras com calçadas onde vale mesmo a pena estacionar. Já deve ter acontecido com você. Bater o olho, sintonizar e PLIM!, balisa.

Foi Márcia Tiburi quem me deu o último presente. Não foi ontem, nem semana passada e nem a moçoila sabe (eu acho!), mas de lá saiu uma pessoa com a doçura mais perspicaz que já encontrei por essas internetesdedeus. O nome dela é Rafaela. Batizei, pra mim, como Rafélis, e aqui transcrevo o último texto postado no blog dela:

Rafélis em momento Drink Ability

P.S. (Plenamente Satisfatórias):

Eu acredito mesmo que certas pessoas não entram… ou melhor, nenhuma entra em nossa vida por acaso! Seja para nos proporcionarem algo bom ou nem tão bom assim… Os meus amigos todos sabem o quanto lhes sou chatamente melosa e amorosa [fruto de gratidão], e dessa vez, não podendo ser diferente, queria deixar algo sabido – porque excedível.

O fato é que, apesar do ano meio pobre – literalmente falando: dureza, desemprego, vida de estágio e tal – ganhei imensuráveis ‘brindes’ como recompensa: alguns anjinhos, que gostaria de citar aqui!

É preciso, portanto, agradecer as pequenas, mas muito valiosas, participações destes em meu melhor estado de espírito. Inclusive naqueles momentos em q tudo ao redor parece não valer muito a pena e ninguém prestar… e, de súbito, – como se adivinhassem, e possivelmente sim! – uma palavra lhes vem das asas, como fresca brisa sobre sóis insuportáveis…

Enfim, as virtuais [muito reais] fiéis clariceanas: Marjbier – pelas deliciosas gargalhadas e impagáveis viagens literárias; Li Prates – pela simpatia e prestatividade ingênitas; Cy Oliveira – pela delicadeza, poética e anímica, e gratuitos carinho e atenção.

De verdade, mesmo sem saberem [aliás, agora sabem :] , vocês me cederam instantes preciosos de conforto quando precisei, sem declarar.

Que alguém além as presenteie também, no mais, deixo eu a gratidão e a singela amizade. =)

*E aos meus queridos mais próximos [ou não], beijos e abraços _pra guardar.

Suspresas, surpresas boas da vida… Que bom que “estás”, Rafa. E que fique! Obrigada.

Aventura no Caminho das Missões

27/11/2009 por marjoriebier

Equipe de filmagem do Globo Repórter

Hoje, após a novela Viver a Vida, o Caminho das Missões será pauta em um dos blocos do Globo Reporter (22h10min).

Os repórteres percorreram, no mês de outubro, 300 km entre os 7 Povos das Missões. Acompanharam peregrinos que, vindos de todos os cantos do mundo, buscam emoção e aventura nessa trilha que é considerada uma das mais importantes do Rio Grande do Sul.

A equipe conheceu a história da região, buscou referência na fé de benzedores, acompanhou a rotina de peregrinos e destacou as características culturais da região.

Equipe acompanha Peregrinos das Missões

Em 1999, Claudio Reinke, Gladis Pippi, Marta Benatti e Romaldo Melher percorreram mais de cinco mil quilômetros para conhecer a fundo a região das Missões. Após incansáveis pesquisas, em 2001, o grupo concluiu a pimeira etapa da trilha que seria de São Nicolau até Santo Ângelo, totalizando 170 km. Em 2005, mais 155 km foram implantados com a inserção de São Borja no trajeto. Completava-se o ciclo histórico dos 7 Povos das Missões no Brasil.  A próxima etapa é a inclusão dos caminhos internacionais (Argentina e Paraguai), completando os 30 Povos e deixando a trilha com, aproximadamente, 700 km.

A Operadora de Turismo Caminho das Missões é a grande idealizadora desse projeto e fica situada em Santo Ângelo (RS), último dos 7 Povos e Capital das Missões.

You will survive ®

26/11/2009 por marjoriebier

Você está ali, bem bela, sentada diante de um prato de batatas fritas mergulhadas no katchup, quando aquele cara que abalou suas estruturas dá o ar da graça. Você tenta, sem sucesso, disfarçar a ansiedade. Limpa a boca no punho do casaco roxo de veludo cotelê, mas deixa as provas do crime expostas na ponta dos dedos ensopados de óleo de girassol.

Arruma a cadeira, joga as malenas pro lado, dá um up no decote e fica feito uma boba procurando uma frase de efeito para a próxima cena dessa esquete que você não ensaiou. Qual é, mocinha, vai ficar aí, parada feito uma coluna do templo, esperando a chance da sua vida passar?

Sim, eu sei que você fez novena, promessa, acendeu vela pra Santo Antônio, rezou Pai Nosso, trezentas e duas Ave Marias, e agora que a belezura está ali, sentadinha da Silva amém, bem diante do seu nariz, o neurônio direito resolveu travar. Coragem, meu bem. Segura na mão de Deus e vai.

Vai lá e mostra que sobreviveu ao tsunami emocional que foi o fim da história de vocês. Conta pra ele que, apesar da novela mexicana, sua integridade está intacta, seu emprego está bombando e que seus glúteos (ah, bendita hora que você resolveu treinar) estão mais durinhos que a rapadura de açúcar que a madrinha dele te ensinou a fazer. Fale da sua viagem para Tenerife, mostre as unhas que você parou de roer e comente, quase sem querer, sobre a dívida quitada daquele carro que ele te ajudou a escolher.

Esqueça a sua tragédia amorosa, os finais de semana regados a pipoca – chocolate – e – filmes – com – a – Meg – Ryan – inchada – de – tanto – chorar. Ele não precisa saber nada sobre o seu inferno astral, sobre aquela calça de moletom horrível que você adotou e o quanto a fotografia de vocês dois apaixonados na Praia do Coco tem te feito sofrer. Os seus exorcismos são só seus, ninguém mais precisa entender.

Volte para a vida, Eurídice. E siga para a mesa depois. Esse boa pinta que está atrapalhando o seu campo de visão não vai abrir mão do copo de chopp para salvá-la das trevas que você mesma escolheu. You will survive sem ele, benzinho. Peça um drinque e pague pra ver.

Surdo ®

25/11/2009 por marjoriebier

Às nove horas da manhã

Encontrei o homem da minha vida

.

Não fosse Adriana Maciel

Zeca Baleiro

Cartola

Tereza Salgueiro

.

Ele teria me

Escutado chamar

Getaway ®

24/11/2009 por marjoriebier

Estive em Santa Rosa, recentemente, para ministrar uma oficina de redação em uma escola particular. O grupo era formado por quase setenta jovens do ensino médio. Todos em fase pré-vestibular. Em comum, carregavam a vontade de morar sozinhos, longe da barra da saia dos pais e, de preferência, na capital.

Não foi diferente comigo na adolescência. Também tinha meus planos de fuga, especialmente da cidade que, vista de cima da minha arrogância juvenil, parecia-me pequena demais, patética demais, absurda demais para a belezinha que eu era.

Não fui estudar na capital. Levei bomba no vestibular porque, como em qualquer lugar do planeta, não estudei o suficiente. Acabei ficando pela região. Fiz, das cidades que me acolheram, Disneys fantásticas e repletas de faz-de-conta. Fiz amigos patetas, ambiciosos, trambiqueiros, românticos, ratões e, de mim, fiz um personagem que nem eu mesmo sei.

Depois de me jogar de um tobogã, fui para Porto Alegre. Como toda menina típica do interior, fiquei embasbacada com a cidade, encantada com as mil e uma possibilidades, com a vida frenética de pessoas que nunca se olham na cara.

Vivi lá por quase dez anos. E voltei para Santo Ângelo. E foi estranho, sim. Demorei para entender que o tamanho do lugar quem faz é a gente. E faz isso quando acorda de manhã. E repete quando sai para trabalhar. E faz de novo quando abraça uma causa, quando se envolve com o que vale a pena, quando defende as coisas que acredita e, especialmente, quando abandona a petulância de achar que somos muito.

É claro que sinto falta dos papos na Redenção, dos finais de tarde no Gasômetro, do Santander, do Margs, do Beira Rio, das batidinhas  de chocolate em Ipanema, do xis do Cavanhas, do Elis no Entreato, das sessões de cinema às dez da manhã, da Feira do Livro, das jantinhas regadas a vinho vela macarrão e risadas, dos dias intermináveis de chuva, dos ônibus lotados, dos táxis caros, dos assaltos, das pessoas desconfiadas, das distâncias, das manhãs solitárias, das crianças cheirando cola embaixo do viaduto da Borges, da saudade que eu sentia de casa e que jamais imaginaria acontecer.

Sim, baby, cair fora é necessário. Faça isso pelo menos uma vez na vida. Bote a mochila nas costas e pague para ver. Mas não faça isso porque precisa provar para o mundo o quanto você é descolado e como sua Harley Davidson imaginária comporta a sua estrada solitária. Não tem lugar como a casa da gente, acredite. Morar em uma cidade grande é uma delícia, mas a segurança do nosso porto não há vale transporte que pague.

Aluguel ®

23/11/2009 por marjoriebier

Hoje sou

PORTEIRA

(e INQUILINA)

de mim.