Posts filed under ‘Perplexidades’

Feliz Mundo de Amigos S.A. ®

Hoje eu tô no Bordel fazendo um breve desabafo sobre aquele tipo de

gente-bicho peçonhento que é incapaz de ver alguém próximo feliz.

Clique na imagem e pule lá.

 

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22/07/2011 at 2:29 PM 4 comentários

Amor dos Homens

Semana passada, ia eu andando pela Avenida Paulista e, como era bom admirar tantos casais imprevisíveis, inter-raciais. Muito japa com preto, coisa rara de se ver no Rio de Janeiro. Entre tanta gente, meu olhar mais se fixava nos gays. Vi uma menina beijando outra, tão meigas, tão doces;  sincera a cena me pareceu.  É bonito e democrático sentir e compartilhar a presença do amor entre homens e entre mulheres, mãos dadas na urbanidade. Reparo e curto, pois não estou acostumada a ver o homo- amor assim pelas ruas; (será que vão pensar que é um tipo de sabão em pó só para amantes?). Acho que falta esse tipo de amor como romance. Não se vê nas telenovelas uma história normal, um idílio entre iguais em gênero. O amor, para que saibam, não é um privilegio de héteros. Assim fosse, seria proibido com eficiência que se apaixonassem e se queressem. Mas não, o que o famoso senso comum, a moral dominante e as leis conseguiram era impedir a oficialização das uniões, mas não às uniões. Faltam mais filmes no circuito popular, mais circulação de livros sobre o amor entre os do mesmo sexo. Não precisa ser só vídeo de sacanagem e na hora da sacanagem.  São histórias de amar como qualquer outra. E  o amor é lindo onde estiver. Prefiro milhões de vezes assistir ao lindo segredo de Brokeback  Mountain  do que ao amor entre uma mocinha boba  e um vampiro e suas sangrias. Todo mundo sabe que vampiro não é bom partido para ninguém. Portanto se apaixonar e ter como príncipe aquele que nos chupa o sangue, pode não ser educativo para uma mulher cuja sociedade ainda não admite que o homem não seja seu dono absoluto.

Tenho tantos amigos gays e isso não me incomoda nada. Qual o problema de existir quem se queira e seja do mesmo sexo? Por que isso ameaça tanto? O que realmenta ameaça? Já é hora da civilização, que se acha tão moderninha, se  perguntar  essas coisas de gente grande. Ter uma conversinha consigo mesmo  e parar de dar bandeira, de se tornar  tão  vulnerável, de se sentir tão ultrajada pelo amor entre iguais. Se eu namorasse alguém assim, homofóbico, obsecado pelo tema, eu ia  avaliar  com mais  profundeza a masculinidade dele. Ninguém faz vestibular  para escolher seu objeto de amor. Quando se sabe que se é,  já se é há muito tempo.

Conheço mil relatos de meninos que, aos onze ou até  antes, se surpreenderam quando perceberam o desejo pelo coleguinha. Criados para casarem com a namoradinha, no horror desta descoberta de ser portador de tão horroroso pecado, os pequenos gays vivem com muito medo desta  verdade da qual  por não saberem  que  não é um erro, também não sabem que não são culpados!  Na minha infância quando a fofoca do bairro comentava: menina o Zé Maria, virou, né? Minha avó, mesmo sendo católica e apostólica, dizia logo sem surpresa: “ah, isso é mais antigo que Roma!” Pura verdade. Não houve um ano, que eu saiba em que se disse do ADVENTO da homossexualidade. Sempre houve e é dos humanos e alguns outros animais. Sempre houve, só que mais escondido que hoje.  Tinham, quando homens, que se casar com uma mulher, desejando o irmão dela. Ou, se mulheres, sonhando com a cunhada.  Quando finalmente é permitida aos gays a união oficial e oferecido às escolas um conteúdo de educação de gêneros que não exclua nem discrimine as relações homo-afetivas, estamos falando de Direitos humanos! Se eu  preferisse mulheres eu ia andar, mesmo que fosse na Paulista com medo de ser agredida por que estou apaixonada pela minha namorada  e o demonstro na rua como fazem os casais onde o amor está vivo e permitido. Por isso é inadmissivel que o Bolsonaro, ocupando um cargo federal, recebendo  salário pago pelo povo, traia este povo com tantos absurdos. Bizarras  atitudes e palavras  o tem exposto  aos que ele representa, da pior maneira. Cabe ao parlamentar, é de sua competência, representar o povo, pelo povo e para o povo que o colocou ali através do voto. E se um viado desavisado votou nele? (desculpem, não podia perder a rima e a graça). E ainda que não tenha votado, o que acho  difícil, isto não importa. Governa-se para todos. Pra mim é grave o que estamos assistindo. Creiam-me, os que respeitam  a liberdade pela qual tantos morreram para conquistar: Quanto mais  brancos se posicionarem e  não facilitarem a disseminação do racismo, melhor  para todos; quanto mais homens  contra a violência doméstica, quanto mais héteros se declarando pelos direitos dos gays, mais  reforço e credibilidade  ganham os temas . Senão,  pode parecer papo de gueto. Tanta  violência na TV,  nos computadores, incitando e ensinando a violência seguida de morte e  isso não incomoda tanto quanto o  romance entre os homossexuais.  Arma de fogo é que não é normal. Há uma flor que se chama Amor dos Homens. Meu coração não suporta guerras. Prefiro a flor e o amor  dos homens.

Elisa Lucinda

28/05/2011 at 9:48 PM Deixe um comentário

Do verbo palavrar ®

– Cheguei em casa com saudade. Como se isso fosse alguma novidade pra você.

– Nesse caso, odeio novidades. Gosto de ouvir sempre a mesma notícia.

– Sempre a mesma notícia e sempre tantas respostas.

– Porque eu me enxergo em você. Às vezes, o espelho está perto demais, quase embaça e, nessas horas, eu não consigo responder. Você arriscaria uma outra explicação?

– Talvez medo de perder a razão.

– Ontem segui a lua cheia enquanto rolava no chão. Você chama isso de racionalidade?

– Você e suas gavetinhas mágicas repletas de surpresas.

– Nem sempre as coisas boas ficam guardadas nessas gavetas. Gosto de mostrar a noite e o dia, a lua e o trânsito, as coisas todas que busco apenas como vetores para roubar mais alguns beijos.

– Nesse caso, entendo melhor as coisas que você me diz. Minhas interrogações continuam sem perguntas, mas germinaram e floriram de forma linda. Você mostra que está cuidando bem do seu coração. É isso ou ilusão?

– Algo me diz que você está amando. Eu estou.

04/04/2011 at 2:49 PM Deixe um comentário

Nau ®

Você já percebeu que sempre me deixa um pouco mais louca com essas histórias de seus sonhos, com esses mergulhos em mares desconhecidos e como, de alguma forma mágica, você acaba por me vincular a cada um dos detalhes? E isso sempre acontece envolto a vozes que embalam meus pensamentos e me levam com você pelas notas tão lindamente escolhidas para que meu coração encontre em suas palavras alguma espécie de porto, de cais, de calma. Aqueles sons que vêm com a brisa e nos deixam perguntando que roteiro é esse, de que filme, de que história tão bem guardada ele saiu. E se eu contar alguma coisa entre parênteses, se esconder por entre os pontos minhas surpresas, deguste-as como aquelas delícias que a gente abandona na hora do mergulho, em alguns oceanos muito profundos, onde o vento traz e leva tanta saudade, tanta vontade desse paladar salgado que emoldura diálogos e molha as pistas que conduzem a novos encontros, indiferente da tela, indeferente das linhas, indiferente de.

04/04/2011 at 2:35 PM Deixe um comentário

Quanto defeito junto!

(…) – retrucou ela, rindo, também.

 – Saiba, pois, que sou muito senhora da minha vontade, mas pouco amiga de a exprimir; quero que me adivinhem e obedeçam; sou também um pouco altiva, às vezes caprichosa, e por cima de tudo isso tenho um coração exigente. Veja se é possível encontrar tanto defeito junto!

Machado de Assis

04/04/2011 at 1:28 AM 2 comentários

À beira do amor

Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto – é para lá que eu vou.
À ponta do lápis o traço.
Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia – é para lá que eu vou.
Na ponta dos pés o salto.
Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou.
Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.
Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois – depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio.
Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.
É para o meu pobre nome que vou.
E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo.
Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.
Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente.
Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.
Clarice Lispector

02/04/2011 at 8:15 PM Deixe um comentário

A flor e o seu nome

Mas o que impressiona mesmo no amor-perfeito é o nome. Que responsabilidade, meu filho! Há por aí uma planta chamada de amor-de-um-dia, que não carece muito esforço para ser e acontecer, como doidivanas. Outra atende por amor-das-onze-horas e presume-se como sua vida é folgada. Há também amor-de-vaqueiro, amor-de-hortelão, amor-de-moça, amor-de-negro… muitos amores vegetais que desempenham função limitada. Mas este aqui não tem área específica, não se dirige a grupo, ocasião, profissão. É absoluto, resume um ideal que vai além do poder das flores e dos seres humanos.

Que sentirá o amor-perfeito, sabendo-se assim nomeado? Que tristeza lhe transfixará o veludo das pétalas , ao sentir que os homens que tal apelação lhe dera não são absolutamente perfeitos em seus amores? Que aquele substantivo, casado a este adjetivo, sugere mais aspiração infrutífera da alma do que modelo identificável no cotidiano?

A tais perguntas o sóbrio amor-perfeito não responde. O outono tampouco. Talvez seja melhor não haver resposta.

Drummond

01/04/2011 at 10:32 PM 1 comentário

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