Amnésia ®

06/08/2010 at 1:06 PM 13 comentários

– Você ainda pensa na gente?

Aquele 7 de julho, as noites de frio, as chaves do sótão, as pistas, as massas, as pausas antes de abraçar. Degas, Monet, Toulousse-Lautrec, as adegas, as passagens, as paisagens registradas de Paris. O papel de arroz do Nepal, a moeda na fonte, a páprica, o cravo, a pashmina carmim jogada sobre o lençol. O Drummond, a poesia no ouvido, a trilha de filme, a dança, a rua, o embaçado do carro sob os olhos da lua.  A ladeira, o cinema, a calçada, as flores por cima do muro, os pulos pela janela da casa, as fugas, as trufas esquecidas na escada. Nós dois na chuva, depois parados na curva da estrada. O silêncio das tardes de outono, o volume máximo no coração. Os suspiros, as palavras, o aceno de adeus sem a minha permissão.

– Não.

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Entry filed under: Perplexidades.

Comédias da Vida Privada III ® O riso como arma

13 Comentários Add your own

  • 1. Miss  |  06/08/2010 às 1:49 PM

    Às vezes é necessário fazer de conta que não pensamos…tenho praticado isso nos últimos dias.

    =** Beijos, bonita! Um fds bem lindo pra ti!

    Responder
    • 2. Marjorie Bier  |  06/08/2010 às 1:59 PM

      Lindeza… isso passa. Dói muito, mas passa. A gente acaba guardando num cantinho da memória. E só.

      =***

      Responder
  • 3. Talita Prates  |  06/08/2010 às 1:56 PM

    é… tem quem consiga mesmo desdenhar
    da força das lembranças.

    ótimo pra quem esqueceu,
    melancólico pra quem ainda lembra.

    bjo, florinha!

    (F)

    Responder
    • 4. Marjorie Bier  |  06/08/2010 às 2:00 PM

      Eu esqueço. Ou finjo que. Mentir pra si, nesse caso, causa menos dor de cabeça.

      S2

      Responder
  • 5. Duduardoo  |  06/08/2010 às 3:21 PM

    Só colcando o outro perdido num canto do S2 pra não deixar a lembrança vir à tona.

    E ainda assim, as vezes, não resolve.

    Uma ex certa vez me perguntou porquê eu “desamava” com a mesma rapidez com a que me apaixonava.

    Fiquei em silêncio um tempo. Depois respondi-lhe que se ambos (eu e ela) não tivemos força suficiente pra evitar o adeus, deveríamos apenas tornar menos doloroso o fim, pra que ficassem lembranças boas e pudéssemos nos olhar com um quê de satisfação em ter deixado o outro buscar ser feliz quando já não conseguia fazê-lo.

    Parei aqui pq isso dá vários posts.

    Está lindo! Vivo!

    E fez bater forte o S2.

    =***

    Responder
    • 6. Marjorie Bier  |  06/08/2010 às 7:03 PM

      Algumas coisas a memória não apaga. Nunca.

      =***

      Responder
  • 7. Régis Antônio Coimbra  |  06/08/2010 às 4:11 PM

    Saudades do que fomos? Mais ainda do que não chegamos, nos encontros adiados. Se nos desencontrássemos, um início meio e fim dariam algum alento. Mas adiamentos reiterados até o esquecimento despedem mais lentamente esses restos não usados que guardamos de dó do futuro que já tivemos.

    Responder
    • 8. Marjorie Bier  |  06/08/2010 às 7:06 PM

      Sabe, não acho tão ruim adiar ou cancelar as coisas. Muitas vezes a gente acaba se dando conta, exatamente por isso, que continuar teria sido um erro tamanho gigante.

      Responder
      • 9. Régis Antônio Coimbra  |  11/08/2010 às 6:45 PM

        Concordo a respeito dos deliberados cancelamentos. Falo dos irrefletidos adiamentos. Mas já vi que somos dois admiradores da canção “futuros amantes”, hehe…:

  • 10. rafaela  |  06/08/2010 às 8:21 PM

    ai, que falta de… crepúsculo! hahaha

    e a gente segue cantando: ‘a… insensatez… que vc fez.. coração mais sem cuidado…’ ♪

    [tô tão vinicius ultimamente…rs]

    =***

    Responder
    • 11. Marjorie Bier  |  09/08/2010 às 12:40 PM

      Ando tão bossa também, amora… havia esquecido como esse embalo é bonito.

      Beijo-mundo!

      Responder
  • 12. Aline V.  |  08/08/2010 às 11:50 PM

    deu até apertinho no coração 😦

    Responder
    • 13. Marjorie Bier  |  09/08/2010 às 12:40 PM

      Menina, teu blog está tão lindo!

      Fica a dica para os visitantes daqui!

      Beijo

      Responder

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