Minha vida sem mim ®

09/03/2010 at 12:40 PM 16 comentários

Quando eu era criança, ía para um sítio lá em São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba, e gostava de correr pelo pasto em busca de cabaças. Achava que para tomar chimarrão, eu mesma precisava preparar as cuias. Sei que só com a prática vale a pena falar das técnicas bem artesanais que eu usava. Fiz algumas vasilhas, uns cantis. Até bem pouco tempo ainda tinha uma guardada, intacta, com suas sementes. Acabou virando um chocalho. Será que ainda existe? Que pergunta a essa hora da noite… Perdi tanta coisa nessas minhas andanças. Coisas bobas, coisas que eu gostava muito, coisas que gostava pouco. E uma caixa. Eu tinha uma caixa onde guardava bilhetes e tralhas de momentos que eu não queria esquecer. Isso eu acho que ainda está lá, no fundo do armário. Tomara! Hoje, o espaço que escolhi para guardar os meus badulaques é um verdadeiro quebra-cabeças. Várias coisas encaixadas lá dentro. Nem gosto de mexer. Respeito o que eu guardo e o que as pessoas que amo juntam por aí. Não foi assim comigo. Minhas lembranças de infância foram sumindo sem que eu me desse conta. Lembrei de algumas coisas só muito tempo depois. A minha vida sem mim deixou marcas que comigo não consigo carregar.

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Entry filed under: Perplexidades.

À deriva (ou mero exercício III) ® Mero exercício IV ®

16 Comentários Add your own

  • 1. Clau  |  09/03/2010 às 12:58 PM

    FUERTE!!!!

    Besos

    Responder
    • 2. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 1:25 PM

      =))))

      E eu nem conheço São Luís do Paraitinga…

      Responder
  • 3. Enrico  |  09/03/2010 às 1:12 PM

    10:15… hora oficial de visitar o céu.

    … sempre uma estrela nova proseando por aqui.

    Bj

    Responder
    • 4. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 1:31 PM

      Prefiro essa linguagem natural, cotidiana, a textos repletos de palavras rebuscadas que mais buscam provar uma pseudo intelectualidade do que abraçar o leitor.

      Gosto do verbo que toca.

      =***

      Responder
  • 5. Marininha  |  09/03/2010 às 2:23 PM

    Não lembro muito d qdo eu era pequena. O Rico guarda + coisas do q eu. Se mãe não conta, não sei mesmo.

    Pq será?

    Mas lembro de coisas e risadas que a gente diviriu, por exemplo. E guardo as fotos e as cartas com carinho.

    Fiquei nostálgica.

    Responder
    • 6. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 3:25 PM

      Querida… sessão nostalgia existe quando a gente para pra pensar um pouco na vida.

      Linda!

      beijo

      Responder
  • 7. Marcelo Cruz  |  09/03/2010 às 2:55 PM

    Horas e horas de filosofia com esse post.

    Saudade do conversar descompromissado com vc.

    Responder
    • 8. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 3:26 PM

      Venha!!!

      Horas e horas de filosofia e papo bom,

      Saudade

      Responder
  • 9. Fabiane Dornelles  |  09/03/2010 às 3:27 PM

    Por que você tem que escrever desse jeito? Fiquei emocionada… chorei… “não foi assim comigo”. Vivo me lembrando de coisas da minha infância que se perderam no tempo. Brinquedos. E senti a mesma emoção quando li aquele da grama…
    Você é a sensibilidade materializada em gente…
    Obrigada, Mar

    Responder
    • 10. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 3:29 PM

      Guriiiaaa!!!

      Estava pensando em ti hoje de manhã. Que saudade!!!!

      Tão, tão, tão bom te ver aqui.

      Beijinhos

      Responder
  • 11. Clara Morais  |  09/03/2010 às 4:01 PM

    Como já disse Millôr, “a saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos?”.

    Que lindo, Marjorie.

    Responder
    • 12. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 11:46 PM

      =)

      Eu adoro essa frase, Clarita.

      Obrigada por trazê-la até aqui.

      beijo

      Responder
  • 13. Luana  |  09/03/2010 às 11:13 PM

    Fiquei tão emocionada com esse texto, Mar.

    Minha vida sem mim é como a tua.

    Beijo

    Responder
    • 14. Marjorie Bier  |  09/03/2010 às 11:49 PM

      Já viste o filme? Uma película espanhola linda lá de 2003 e dirigido por Isabel Coixet.

      Ouvi boatos de que Almodóvar ajudou na produção de Minha vida sem mim, mas nunca tive certeza.

      Beijo

      Responder
  • 15. ℓυηα  |  11/03/2010 às 4:33 PM

    Esse texto me emocionou, sabe, florzinha?

    Tenho algumas lembranças das quais adoraria me livrar, mas acho que nem praticando um “aborto”, conseguiria, infelizmente…

    =**

    ℓυηα

    Responder
    • 16. Marjorie Bier  |  11/03/2010 às 5:45 PM

      O tempo é a melhor borracha…

      Beijo, beijo

      Responder

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