Cartas extraviadas IV ®

14/01/2010 at 12:18 PM 24 comentários

Carlos

Recebi ontem a sua carta. Fiquei pensando, à noite, nos benefícios dessa não existência, essa que tanto nos aproxima. Li gibis até tarde, depois liguei a tevê e fui de Woody Allen e Freak Brothers – gosto quando você diz que eu não existo – e quando já estava exausta de ambos, você também não existia.

Fiquei deitada, no escuro, me imaginando em cima de um iceberg, olhando para baixo até ver o lago congelado, tudo muito azul. Dois pensamentos dançavam em mim naquele instante: um fazia os movimentos da quase exata medida da razão vulgar, o outro apenas sentia.

Demorei para dormir, mas tive uma noite tranquila. Sinto-me como se tivesse uma junta de bois trabalhando incessantemente – menos quando chove – arando a minha cabeça, a minha cara, o meu peito e por aí vai. E tudo o que fiz desde que levantei foi para chegar até aqui, agora, e escrever o que eu descobri: você não existe por isso, por tudo isso que é tão intangível e tão intenso entre nós.

Devo sair do trabalho daqui a 40 minutos. Quero chegar no correio antes que feche. Depois vou para casa preparar um macarrãozinho com molho branco e queijo briè. Talvez um vinho para um punhado de filosofia se aninhar na barriga da saudade antes de você voltar a existir.

Eu sou pele, você é distância. A saudade faz esse  incêndio crescer.

Sandra

*

Obrigada a quem já enviou sua cartinha. Elas já começaram a chegar e estão sendo devidamente respondidas.

Aos distraídos, ainda temos 14 dias.

Conheça a proposta.

*

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Cartas Extraviadas III ® Vacío ®

24 Comentários Add your own

  • 1. Enrico  |  14/01/2010 às 12:58 PM

    Mas isso é bem tu mesmo!!!

    Tem certeza que não é experiência própria??? hahahaha

    Responder
    • 2. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 1:34 PM

      hahahahahaha

      Estava mesmo faltando esse comentário… Claro que já passei por isso. Você também. Mas não são cartas por mim enviadas…

      Beijo

      Responder
  • 3. Luana  |  14/01/2010 às 1:27 PM

    Eu tenho uma vontade de roubar essas cartas… rsrsrsrs… posso?

    Saudade

    Responder
    • 4. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 1:35 PM

      Se for por amor, deve!

      Saudade do mesmo tamanho.

      Responder
  • 5. Marininha  |  14/01/2010 às 1:59 PM

    hahahahaha…

    adoreeeiiii os bois arando a cabeça e o peito!!!

    Diver!!!

    Responder
    • 6. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 2:01 PM

      Credo! Que mau gosto!!!

      hahahahahaha

      Responder
  • 7. Renata  |  14/01/2010 às 2:55 PM

    saudade mora em quem se deixa cativar. e cabe tanto dentro dela, né?

    um beijo.

    Responder
    • 8. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 3:00 PM

      AAAAAhhh…. saudade cabe em quem é vivo!

      beijo, beijo

      Responder
  • 9. Rafael Dreweck  |  14/01/2010 às 3:59 PM

    Recebeu minha carta?

    Tem surpresa!

    Responder
    • 10. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 4:25 PM

      Ainda não, cherrie… amanhã ou segunda.

      Beijo

      Responder
  • 11. ℓυηα  |  14/01/2010 às 5:01 PM

    E quem disse que as coisas, as pessoas tem a obrigação de existir o tempo todo, não é, lindona?

    Eu adoro me dar o direito de inexistir, de quando em vez. E nem sinto a minha falta.
    😉

    Beijo, beijo.

    ℓυηα

    Responder
    • 12. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 5:03 PM

      Eita, sorte!!!

      Eu sinto uma saudade danada quando inexisto…

      Beijinho

      (eu ainda estou rindo do Shoyo)

      Responder
  • 13. Clau  |  14/01/2010 às 6:15 PM

    Eu sou pele, você é distância. A saudade faz esse incêndio crescer.

    uuuiiiiii!!!! amorei!!

    Responder
    • 14. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 6:23 PM

      Louca!

      Responder
  • 15. Clara Morais  |  14/01/2010 às 6:20 PM

    “movimentos da quase exata medida da razão vulgar”

    Um jeito educado de “pornografar” o texto, Miss Bier

    Demais!

    Responder
    • 16. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 6:25 PM

      Adoro gente inteligente!

      Beijo, lindona!

      Responder
  • 17. Fabio Zen  |  14/01/2010 às 7:46 PM

    Tenho um certo fetiche por cartas(não sexual!).Nos primeiros quatro anos juntos,eu e a Débora nos correspodemos diariamente todo dia,com cartas que relatavam o dia e otras cositas mas.Dai eu saia do escritório e me dirigia para a casa dela e trocavamos as cartas.Deu para encher um enorme saco depois.Esqueci o saco no sótão de uma casa em São Miguel.Os novos moradores com certeza devem ter se divertido bastante.

    Responder
    • 18. Marjorie Bier  |  14/01/2010 às 7:52 PM

      Rimamos no fetiche. Também troquei inúmeras cartas. Dentro de envelopes, amores nunca selados e amigos nunca abraçados. Fiquei sem resposta tantas vezes… são os riscos que se corre quando se permite navegar entre esses códigos.

      Quando responder tua cartinha, vou te contar sobre uma ideia que uns malucos tiveram. Acho que vais gostar.

      beijinho

      Responder
  • 19. Emerson Souza  |  15/01/2010 às 12:08 AM

    Tão gostoso isso…
    Bjus.

    Responder
    • 20. Marjorie Bier  |  15/01/2010 às 6:20 PM

      Adoro também!

      Beijinho

      Responder
  • 21. cynthia  |  15/01/2010 às 9:03 PM

    Marj, querida, boa tarde.
    tenho adorado ler essas cartas, tão cheias de entusiasmo e vida.
    um beijo

    Responder
    • 22. Marjorie Bier  |  12/02/2010 às 6:52 PM

      Querida… você é tão linda!

      Um beijo

      Responder
  • 23. Miss  |  15/01/2010 às 9:36 PM

    Coisa mais linda!

    Mar, essa tua mente é um oceano de ideias borbulhantes, né, flor? Acho lindo demais!

    Beijocas e um fds bem lindo pra ti! =)

    Responder
    • 24. Marjorie Bier  |  12/02/2010 às 6:53 PM

      Mar é pra gente mergulhar mesmo!

      =))))

      beijo

      Responder

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