Seco ®

04/01/2010 at 12:56 PM 22 comentários

De pena trovejam as palavras,

Gritam do céu nanquim ensopado

Suas escuras e precipitadas linhas.

.

Molham os duetos de prosa,

Os oitavos sonetos do Rosa,

Na tela que horizontalmente chora.

.

Deságuam de assustada altura

Turvas e aquosas paisagens

Que despencam apressando o passo

Desse ainda árido poema.

.

Entry filed under: Perplexidades. Tags: .

Bon jour, Paris! Das amizades seladas

22 Comentários Add your own

  • 1. Enrico  |  04/01/2010 às 1:16 PM

    Voltei depois do ano novo e me dou de cara com esse poema seco (?). Primoroso!

    Tua perspicácia é deliciosa!

    Responder
    • 2. marjoriebier  |  04/01/2010 às 1:52 PM

      A tua também é!

      =*

      Responder
  • 3. Clara Morais  |  04/01/2010 às 1:50 PM

    Céu nanquim… que bonito!

    Como foi de reveillon?

    Responder
    • 4. marjoriebier  |  04/01/2010 às 1:53 PM

      Família, champanhota, alguns micos típicos e cama.

      Bem normal, mas bonito.

      E você, como foi a virada?

      Beijo

      Responder
  • 5. Clau  |  04/01/2010 às 3:10 PM

    Poetas… bah!

    hahahahahahaha

    Responder
    • 6. marjoriebier  |  04/01/2010 às 3:26 PM

      Garoando…

      =}

      Responder
  • 7. Marininha  |  04/01/2010 às 4:37 PM

    Nesses tempos de chuva, nada como a poesia líquida.

    Beijinhuxxx

    Responder
    • 8. marjoriebier  |  04/01/2010 às 4:44 PM

      Sou liquefeita, Inha!

      ;o}

      Responder
  • 9. Ricardo Valente  |  04/01/2010 às 5:07 PM

    seco ensopado de nanquim… gostei!
    abraço

    Responder
    • 10. marjoriebier  |  04/01/2010 às 5:12 PM

      “Palavras são erros…”

      Um beijo

      Responder
  • 11. Marcelo Cruz  |  04/01/2010 às 6:19 PM

    A tempestade não óbvia. Marjorie é um brainstorm!

    Responder
    • 12. marjoriebier  |  04/01/2010 às 6:29 PM

      rsrsrsrs… Miolos funcionando sempre!

      Responder
  • 13. Rafaela  |  04/01/2010 às 8:24 PM

    achei os 4 versos finais o melhor de tudo!

    poema pra ser lido como o próprio Rosa: palavra-por-palavra.
    seca ou molhada, vasta [e como o G.R., recriando: leia-se vasta como verbo]…

    lindo, amora!

    beso

    Responder
    • 14. marjoriebier  |  04/01/2010 às 9:23 PM

      Gota-a-gota, eu diria.

      Beijo bonita.

      Responder
  • 15. Rafaela  |  04/01/2010 às 10:08 PM

    a palavra é a [própria] gota, amora! =)

    Responder
    • 16. marjoriebier  |  04/01/2010 às 10:12 PM

      Poetas… bah! 2

      ahuahuahuahu

      Responder
  • 17. Talita Prates  |  05/01/2010 às 1:52 AM

    Ai, que Mar-poeta, transbordante!
    🙂

    Bjo, flor.

    Responder
    • 18. marjoriebier  |  05/01/2010 às 1:53 AM

      Inundada!

      beijoooo

      Responder
  • 19. Miss  |  05/01/2010 às 2:18 AM

    Nanquim me é nostálgico como o abraço de um verdadeiro amor…

    Que linda você, flor! Adorei sua visitinha, viu? 2010 vai ser maravilhoso, tenho certeza…não só para mim, mas pra você também!😉

    Beijocas, querida! Você é um dos maravilhosos presentes que ganhei nesse universo dos blogs!😉

    Responder
    • 20. marjoriebier  |  05/01/2010 às 2:19 AM

      A recíproca é verdadeira, amada.

      Beijo

      Responder
  • 21. Régis Antônio Coimbra  |  05/01/2010 às 7:56 AM

    Com cada pena ensopada nesse dilúvio de sépia
    apesar do vento e do peso úmido
    vôo e em lugar de escrever com a ponta aguda da pena
    pincelo com o extremo plumoso
    numa como que aquarela em Nankin
    com a tinta chinesa ou indiana
    que minha provinciana ocidentalidade borra
    no mesmo saco de gatos siameses
    nesta como naquela capital do sul para o qual
    em teu corpo minha bussula
    ainda que aponte para o norte
    obriga a revisitar sempre que o mar encrespa
    o vento enfuna-me
    e sinto que mais vale à pena ensopar
    a pena e a usar como pincel
    na tela dos lençóis suados
    (nosso bem mais verdadeiro e profano sudário)
    do que como estilete na tábula rasa onde
    cuneiformes caracteres nos espetam
    a aspereza das desengonçadas palavras que
    nesse momento
    convém trocar por manchas
    ofegos, gemidos e silêncios
    tão mais eloqüentes

    Responder
    • 22. marjoriebier  |  05/01/2010 às 11:28 AM

      A pena é a língua da alma. (Cervantes?)

      Ou, como cabe melhor agora, sobre as penas – o meu céu de pena exata para acrescentar um ponto:

      A maior pena que eu tenho, punhal de prata, não é de me ver morrendo, mas de saber quem me mata.

      – Cecília meireles –

      Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Sigam-me os bons!


%d blogueiros gostam disto: