Acrobata ®

28/12/2009 at 11:05 AM 42 comentários

Eu devia ter uns seis anos quando entrei pela primeira vez em um circo.

O circo Moscow nasceu, certa tarde, da boca da minha terceira professora. Era um mágico barco perdido no oceano e repleto de luzes. Havia um par de trompetistas que se diziam guerreiros e palhaços aborrecidos com suas cornetas de papelão. No alto, bandeiras esfarrapadas ondulavam anunciando o maior espetáculo da terra. A lona era desastradamente remendada, como os leões, muitos deles na fila da aposentadoria. Mas ela me contou que aquela lona se faria castelo e que aqueles animais cansados seriam, no passar das horas, os reis uníssonos daquela selva. Uma senhora rechonchuda anunciaria a festa com suas lantejoulas brilhantes enquanto voaria no trapézio a um metro do chão.

Foi então que me imaginei acrobata. Aos seis anos, saltei de verdade, lá do alto, em minha primeira acrobacia. E quebrei as costelas.

E assim, depois, seguiu a vida. Nas horas, longas horas de luta pela liberdade de pensamento, e nos amores: sempre saltando, voando e quebrando as costelas.

Quem pisa a primeira vez em um circo não o abandona jamais.

.

(Os abraços inspiram. Alguns abismos me fazem pensar)
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Entry filed under: Perplexidades.

Norte ® Ausências ®

42 Comentários Add your own

  • 1. Clau  |  28/12/2009 às 11:28 AM

    QUE MUITO LINDOOOOOO!!!!

    Responder
    • 2. marjoriebier  |  28/12/2009 às 11:44 AM

      Muito obrigadaaaaaaa!!!!

      Responder
  • 3. Luana  |  28/12/2009 às 12:44 PM

    Mar… com que imagem linda nos presenteaste hoje.

    Um beijo, querida.

    Responder
    • 4. marjoriebier  |  28/12/2009 às 12:57 PM

      Obrigada, Lu.

      Um beijo pra ti.

      Responder
  • 5. Fabio Zen  |  28/12/2009 às 12:52 PM

    Que bom seria se essa aura de magia como a do circo nos acompanhasse sempre o resto da vida…

    Responder
    • 6. marjoriebier  |  28/12/2009 às 12:57 PM

      rsrsrs… é tudo uma questão de como se olha… eu, sinceramente, não gosto muito das costelas quebradas.

      Beijinho, Fábio

      Responder
  • 7. Miss  |  28/12/2009 às 12:54 PM

    Nossa…que coisa maravilhosa! Lindo, Mar, lindo demais!

    “E assim, depois, seguiu a vida. Nas horas, longas horas de luta pela liberdade de pensamento, e nos amores: sempre saltando, voando e quebrando as costelas.”

    Acho que somos parecidas… 😉

    Beijos, flor querida! Um Ano Novo repleto de luz pra ti!

    Ps. sempre me sinto sozinha, lembro daquela música.

    Responder
    • 8. marjoriebier  |  28/12/2009 às 12:58 PM

      Eu também adoro. E “De mais ninguém” também. Como essas músicas me doem às vezes…

      Feliz ano novo, florzinha.

      beijo beijo

      Responder
  • 9. Rafaela  |  28/12/2009 às 2:02 PM

    hahaha
    que linda!!!
    eu sempre suspeitei de q vc havia caído de algum lugar – mas acreditava profundamente q era do céu _ai, q clichê! rsrs_ sério!

    .

    circo me faz lembrar nomadismo. q me lembra os hippies. q me lembram de q eu gostaria de ser! q me lembra de q, se eu me tornar, não poderei abdicar de um computador internetizado! pq a vida, agora e aqui e por isso, se plenifica e embeleza tanto, q não dá mais pra viver sem!!!

    beijobeijobeijobeijobeijo

    Responder
    • 10. marjoriebier  |  28/12/2009 às 3:10 PM

      Amoramor…

      se nada der certo, a tendência é mesmo virar hippie!!! rsrsrsrs

      (lembrei do Win Wenders…)

      Responder
      • 11. Marininha  |  28/12/2009 às 7:31 PM

        Asas do desejo, alemoa?!

        Foi o que também pensei…

        Que tão bonito.

      • 12. marjoriebier  |  29/12/2009 às 11:52 AM

        Sim…. o filme da minha vida!

        Acho tão lindo…

  • 13. Rafaela  |  28/12/2009 às 2:03 PM

    ‘os abraços inspiram… ‘
    q inominável sensação [maravilhosa] deu isso!

    Responder
    • 14. marjoriebier  |  28/12/2009 às 3:12 PM

      E vai dizer que não… abraço apertado – sincero – vale um dia cheinho de sol.

      Responder
  • 15. Marcelo Cruz  |  28/12/2009 às 3:49 PM

    Marjorie sempre nos fazendo pensar na vida…

    Feliz ano novo, minha flor.

    Responder
    • 16. marjoriebier  |  28/12/2009 às 4:23 PM

      Felizanovo, bonito!

      beijo

      Responder
  • 17. ℓυηα  |  28/12/2009 às 3:51 PM

    Ai, ai…tenho um trauma tão grande de circo, não gosto nem de lembrar!

    Abraço é lindo, abraço compreende, literalmente.

    Beijo, querida.

    ℓυηα

    Responder
    • 18. marjoriebier  |  28/12/2009 às 4:24 PM

      Abraço compreende… gostei disso!

      Beijokisses

      Responder
  • 19. Talita Prates  |  28/12/2009 às 4:09 PM

    (escrevi mas perdi tudo…………. aff!)
    (vamos de.novo:)

    Que lindo, Ma!
    Gostei do que a Rafa-lóri suspeitou: caída do céu! rsrsrs

    Desejo-te sorte nos teus saltos de vida e de amores.

    bjo bjo, bonita!

    🙂

    Responder
    • 20. marjoriebier  |  28/12/2009 às 4:25 PM

      Você também é acrobata que eu sei… descobri ontem no msn… uuuhhhhuu

      Beijo, lindona

      Responder
  • 21. roberto  |  28/12/2009 às 4:33 PM

    Complementando o que respondeu pro Fabio.

    Não gosta de costelas quebradas, mas sempre arrisca uns saltos…
    flanzinha, flanzinha!

    Responder
    • 22. marjoriebier  |  28/12/2009 às 4:37 PM

      Uma coisa não exlui a outra, amandito!

      Besos

      Responder
  • 23. Renata  |  28/12/2009 às 4:36 PM

    Quebrar-se é,
    muitas vezes,
    necessário…

    Que, em 2010,
    sua flexibilidade de acrobata
    aumente e a afaste
    desses acidentes! : )

    Muitas felicidades, querida!
    Um beijo,
    doce de lira

    Responder
    • 24. marjoriebier  |  28/12/2009 às 4:37 PM

      Muito esparadrapo será poupado!

      hahahahahaha

      Beijooo

      Responder
  • 25. Ricardo Valente  |  28/12/2009 às 5:26 PM

    Somos personagens de circo, mesmo. Aos 12 era apaixonado por uma garota e na saída da escola – para aparecer para as gurias – andava em cima do muro da frente da escola, de bicicleta. Tive minha primeira grande queda: contusão cerebral. Uma semana desmemoriado. Eu não queria, mas era o risco da acrobacia.
    Abraço, apertadaço!
    (… que entremos assim 2010!)

    Responder
    • 26. marjoriebier  |  28/12/2009 às 5:34 PM

      Teu abraço chegou com a pressão exata que eu esperava aqui.

      Um beijo e feliz ano novo.

      Responder
  • 27. Enrico  |  28/12/2009 às 6:27 PM

    A acrobata com os olhos mais bonitos que eu já vi (e o sorriso também).

    Responder
    • 28. marjoriebier  |  28/12/2009 às 6:42 PM

      “Me vejo no que vejo
      Como olha por meus olhos com olho mais límpido
      E olha o que eu olho
      É minha criação isso que vejo
      Perceber é conceber águas de pensamento
      Sou a criatura do que vejo”

      Amo!

      Responder
  • 29. Eunísia Inês  |  28/12/2009 às 6:45 PM

    Pombas, fez lembrar a maior surra que levei da minha mãe. Pois, quando chegava o circo em Santa rosa era a maior festa, tinha mulher barbada, água dançante, globo da morte, palhaços, algodão doce, maçã do amor… Mas, tinha que vender doces que a Mãe fazia para comprar leite “Nanon” para minha irmã recém- nascida. Fiquei envolvida com as apresentações dos circenses e aqcbei sendo roubada. Votei para casa sem dinheiro e levei uma tremenda surra…pois o dinheiro era necessário. tenho tantas histórias de circo que às vezes sinto ser palhaça de eu mesma.
    Acrobata, bjs

    Responder
    • 30. marjoriebier  |  28/12/2009 às 6:47 PM

      O picadeiro é nosso, acredite!

      Um beijo

      Responder
  • 31. Régis Antônio Coimbra  |  28/12/2009 às 9:27 PM

    Minha primeira vez num circo… eu pensei que iria morrer. É que tinha um globo da morte e eu pensei que ao fim do espetáculo seríamos todos colocados la dentro… para morrer.

    Quando vi o tradicional espetáculo das motocicletas usando a força centrífuga dos movimentos dentro do tal globo para superar a força centrípeta gravitacional do globo terrestre… foi um misto de espanto e alívio.

    Responder
    • 32. marjoriebier  |  29/12/2009 às 2:28 AM

      Não acho que isto seja parâmetro

      Responder
  • 33. Régis Antônio Coimbra  |  28/12/2009 às 10:09 PM

    Ah… o chato de quebrar as costelas é o diálogo:

    Dói?

    …só quando eu respiro…

    Responder
    • 34. marjoriebier  |  29/12/2009 às 11:48 AM

      rsrsrsrs… palhaço!

      Responder
  • 35. Fabiane Dornelles  |  10/01/2010 às 2:11 PM

    MMM Se eu não morresse de ADMIRAÇÃO, seria de inveja. Do quê? Dessa PUTA sensiblidade que você tem, neguinha!!!! E sabe o que eu sinto quando leio? Eu sinto tudo, tudo, tudo, tudo,menos inveja… eu rio, eu me me emociono, mas sobretudo eu me ENCANTO. E sinto, sinto, sinto, sinto. Faça-me sentir sempre. E toda vez que eu morrer de encanto, me ressuscite na próxima linha. Bjs Bjs amada. Hoje vou escrever-te. Papel e caneta, mas não me peça folhas pautadas, só me revelo entre linhas invisíveis, essas que pautam minha alma…

    Responder
    • 36. marjoriebier  |  10/01/2010 às 6:15 PM

      Ai, Fabi!!!!

      Sempre que você passa por aqui, eu fico que nem uma boba sem graça de tanto confete jogado.

      Obrigada (mais uma vez) pelo carinho sempre tão descompromissado e sincero. A minha medida é igual.

      Um beijo

      Responder
  • 37. Fabiane Dornelles  |  10/01/2010 às 7:38 PM

    Sabe Mar hoje eu precisava de você, das palavras que te traduzem, e sabe por quê? Por que eu precisava muito acreditar que gente assim existe, de carne, osso e alma, porque por esses açougues da vida já encontrei muita gente feita de carne, osso e maldade. Ler-te hoje me devolveu alegria e certezas que eu nem tinha mais. Obrigada. Abraço carinhoso.

    Responder
    • 38. marjoriebier  |  10/01/2010 às 8:17 PM

      Sou manteiga derretida das mais meladas. Acabei de assistir o carteiro e o Poeta (pasme… eu não poderia mesmo ter visto antes. Esse filme tinha que ser visto exatamente nesse momento) e ainda estou liquefeita. Aí chega você, assim, com essa alma que não cabe em nenhuma palavra, e me mostra que vale a pena insistir, que vale a pena acreditar, que vale a pena ser assim do jeito que eu sou, atravessada, mas genuína no que sinto e digo. Obrigada, Fabi. Prezo muito o carinho, mas especialmente as amizades.

      Um beijo

      Responder
  • 39. Fabiane do Na Dornelles  |  11/01/2010 às 2:21 PM

    Sempre procuramos alguém que possa nos compreender, ou ao menos que possa compreender o que nao cabe na gente… encontrei você.
    Abraço.
    Fabi

    Responder
    • 40. marjoriebier  |  11/01/2010 às 3:04 PM

      sabe o que eu acho??? Que acampamento da poesia deveria existir todo santo dia!!!! rsrsrsrs…

      E a nossa cervejinha encantada?

      beijo, Fabi

      Responder
  • 41. Fabiane do N. Dornelles  |  11/01/2010 às 9:28 PM

    Pois é!!!! Encantada mesmo…. rsrsrsrsr
    Tá por sua conta! Só marcar.
    Ah e só uma perguntinha… manteiga derretida do tipo que chora por coisas (e cenas… de cinema) que ninguém entende?
    Medula compatível, ahahahahahahaha.
    Bjs

    Responder
    • 42. marjoriebier  |  11/01/2010 às 10:20 PM

      Semana passada me peguei chorando diante de uma propaganda de creme dental…

      Acontece.

      beijooo

      Responder

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