Aos treze ®

16/12/2009 at 12:35 PM 26 comentários

Minha afilhada de 13 anos está arrasada porque o amor da sua vida está saindo com outra pessoa. Como é que é?!

Nessa idade, eu andava de patins na descida da Marquês do Herval  e vivia cheia de esparadrapo pelos joelhos. Não existia música funk e, muito menos, É o Tchan no Havaí. O programa da galera descolada era curtir os jantares da patota que o Clube 28 promovia e morrer de inveja dos “adultos” que íam na tradicional Festa das Bruxas do Comercial.

No meu micro system, Love Times da Novos Horizontes e recados do coração na madrugada. Colecionava agendas recheadas de recortes da Capricho, tênis Le Coq Sportif e canetas multi coloridas made in Paraguai.

Meio de transporte era gareli. Os gatinhos da cidade andavam de skate na frente do Gulla´s. Ídolo era o Giovane do vôlei. E o grande amor da minha vida era o professor de educação física que namorava uma mulher L.I.N.D.A de vinte e dois anos. Velha!

Aos 13, não tinha tempo para as dores do coração. Prolonguei a infância para não ser refém afetiva depois. Exercitei o platonismo sem ao menos saber o que era isso. Demorei para começar a sofrer, a chorar e a praguejar as excêntricas rivais.

Com tristeza, aguentei no peito quando meu primeiro namorado, aos 17, foi estudar em outro lugar. Desandei em lágrimas, maldisse o futuro e, como a minha afilhada, achei que nunca mais fosse amar.

Entendo o caos emocional que habita aquela cabecinha, mas não aceito a precocidade da meninada atual. Pular etapas virou moda e o amadurecimento que a nós foi muito suado, hoje é oferecido aos jovens em chips e megabytes. Não há mais a delícia dos olhares fugidios nos corredores da escola, a espera pela reunião dançante onde os corações apaixonados haveriam de se encontrar, a vigilância dos pais.

Vejo minha afilhada, no botão dos seus tre-ze anos, precipitando a vida que lhe será dura depois. Sem entender que os amores passam e que o coração continua ali, derrapando e desbravando o asfalto, ela derrama o seu Niágara particular e desacredita na possibilidade de botar um outro garoto no lugar desse atual.

Meu celular bipa sem pausas comerciais, as caixinhas de lenço estão virando entulho no quarto rosa e lilás, minha literatura já não surte efeito e não há nada, além de oferecer ombro e tempo, que eu possa fazer. A tragédia está ainda no trailer e, talvez, vire thriller depois.

Ela ainda não entende, mas um dia vai: essa dor passa. O coração, músculo teimoso,  é que permanece ali.

Anúncios

Entry filed under: Perplexidades.

Criatura da criação ® Das maravilhas ®

26 Comentários Add your own

  • 1. Régis Antônio Coimbra  |  16/12/2009 às 12:57 PM

    O amor é o espaço por excelência do triunfo da esperança sobre a experiência – como dizia Samuel Johnson sobre as segundas núpcias.

    Não são só as segundas e seguintes núpcias. São também os segundos e seguintes amores.

    Dito de outro modo, no amor não aprendemos ou, se aprendemos, não usamos o que aprendemos. Só racionalizamos melhor.

    Eu já concluí (inutilmente) que verdadeiro amor são todos… Pois o amor é exatamente isso: um saco de gatos que, no escuro, são todos lindas eminências pardas que nos desgovernam – ainda bem!

    Responder
    • 2. marjoriebier  |  16/12/2009 às 1:01 PM

      Concordo!

      Amor verdadeiro é redundância. Ou é amor ou não é.

      Responder
  • 3. Fábio Zen  |  16/12/2009 às 1:02 PM

    Revival!Não lembrava mais da Gareli,essa fazia mais fumaça e barulho que propriamente andava.Noite das Bruxas,essa sim bombava e Giovane do vôlei,ah patife,a Débora era fã.Bem se a guria tá arrasada nem tudo está perdido…

    Responder
    • 4. marjoriebier  |  16/12/2009 às 1:03 PM

      hahahahaha

      Ela vai sobreviver!

      Responder
  • 5. Luana  |  16/12/2009 às 1:17 PM

    Tadinha… a dor do primeiro amor é inesquecível (e risível depois).

    Vai passar, sim.

    Um beijo

    Responder
    • 6. marjoriebier  |  16/12/2009 às 3:10 PM

      Já leste Risíveis Amores do Kundera?

      beijo

      Responder
  • 7. Marininha  |  16/12/2009 às 1:25 PM

    Maaaarrrr

    Lembra da música da Greici???

    “O amor é zelo e ócio
    certo tipo de ópio
    requer cuidado e esforço”

    Avisa a tua afilhadinha que ainda vai dor umas 795 vezes. ahuahuahu

    Responder
    • 8. marjoriebier  |  16/12/2009 às 3:10 PM

      Lembro, Ninha!

      Onde ela anda??? PoA ainda???

      beijo

      Responder
  • 9. Enrico  |  16/12/2009 às 2:33 PM

    Meninas…

    (não pense que é diferente com os meninos, não)

    Responder
    • 10. marjoriebier  |  16/12/2009 às 3:11 PM

      rsrsrs… “Garotos não resistem aos seus mistérios…”

      Beijo beijo beijo

      Responder
  • 11. Renata de Aragão Lopes  |  16/12/2009 às 3:06 PM

    “Aos 13, não tinha tempo para as dores do coração.”
    Felizmente nem eu!

    Sua afilhada não tardará em aprender que essa dor passa…

    Acredita que publiquei, hoje, um poema intitulado “Refém”,
    que, por óbvio, cita o coração – esse “músculo teimoso”? : )

    Um beijo, querida!

    Responder
    • 12. marjoriebier  |  16/12/2009 às 3:12 PM

      Opa! Vou lá espiar!

      beijo, Re

      Responder
  • 13. Rafaela  |  16/12/2009 às 4:12 PM

    boa a canção:
    ‘quem ama a vida prefere o ofício de salvar
    quem ama a terra prefere o ofício de sonhar
    quem ama mesmo prefere o ofífio de amar!’

    concordo q o amor verdadeiro seja redundância!

    veja: eu olho pra minha prima de 16 anos (de quem, por tempos, cuidei, qdo pequena) e me acho uma alienígena, qdo a vejo com o filho (de 2 anos); qdo eu tive meu primeiro namorado aos 14, mas só tive o ‘namoro de verdade’ (^_^) aos 19/20!

    enfim: MEDO! 8|

    beijo, flô

    Responder
    • 14. marjoriebier  |  16/12/2009 às 4:19 PM

      Bati 7 mil e duzentas vezes na madeira!

      Me-do também!

      Responder
  • 15. Rafaela  |  16/12/2009 às 4:21 PM

    é, fia…
    nave-mãe q não me leve de volta, não! u_u

    Responder
    • 16. marjoriebier  |  16/12/2009 às 4:22 PM

      Planeta Xuxa, Rafélis???

      hahahahahahaha

      Responder
  • 17. Rafaela  |  16/12/2009 às 4:25 PM

    hahaha
    ai, nauuum! >.<
    eu gostava/gosto mais da angélica! 😛 rsrs

    Responder
    • 18. marjoriebier  |  16/12/2009 às 4:26 PM

      Vai de táxi, então. E não me convida!

      hahahahaha

      Responder
  • 19. Rafaela  |  16/12/2009 às 4:28 PM

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    rachei agora!!!!

    não dá, não! minha mãe diz q eu sou insuportável, pq não te conhece! @_@

    beijo!

    Responder
    • 20. marjoriebier  |  16/12/2009 às 4:30 PM

      UUUhhhhuuuu!!!

      Eu e tua mãe podemos ser as angéliquetes… e cantar em espanhol com aquela super voz de taquara rachada:

      DIOI LE TAKSI… (sim… porque a gente NUNCA ouve a pronúncia correta)

      Responder
  • 21. Rafaela  |  16/12/2009 às 8:42 PM

    (*)

    nas nossas avenidas e calçadas
    (cardíacas e rubras)
    deixara suas marcas.

    com candura de mulher-menina
    e delicadeza azulsutil,
    do Alto, foi que nos caiu…

    hoje, lá,
    suas noites têm mais breu.
    e aqui, porém, todos os dias
    a Terra se faz Céu

    e os nossos eus
    têm sua existência iluminada
    brilhando todo encanto e poesia
    em suas mil esquinas delicadas.

    _pq rafélis tateou A mais bonita! =)

    Responder
    • 22. marjoriebier  |  16/12/2009 às 9:17 PM

      Rafélis nada otimista faz poesia mais que bonita!

      Amei!

      Responder
  • 23. MissUniversoPróprio  |  16/12/2009 às 9:04 PM

    Ai, que coisa mais linda esse texto, flor. É verdade, querida, é fácil de compreender o que se passa na cabeça dela, mas é difíci de compreender a rapidez com que as coisas têm andado.

    Grande beijo, flor e obrigada pelo lindo comentário lá no blog…amei!

    😉

    Responder
    • 24. marjoriebier  |  16/12/2009 às 9:18 PM

      Lotada é pouco! TUMULTO!!!

      Beijo, neguinha

      Responder
  • 25. Fael Malakyan  |  17/12/2009 às 11:26 AM

    Ahhhh…que saudade da minha infância que deu agora!!! Saudades dos meus 13 anos e de quando meu coração nada mais era do um órgão!!

    Beijos linda

    Responder
    • 26. marjoriebier  |  17/12/2009 às 11:32 AM

      Faelzito…

      Involuntário, é isso que nosso coração é.

      Beijo

      Responder

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Sigam-me os bons!


%d blogueiros gostam disto: