A day in the life ®

08/12/2009 at 12:24 PM 20 comentários

Não fosse The Quarrymen, ainda ouviríamos John Lennon tocando skiff com uma tábua de lavar roupas ou desconheceríamos o exímio mímico e desenhista que ele foi na pré-adolescência.

Também não fosse essa banda de tocadores de banjo e acessórios para tanquinhos, Lennon não teria conhecido Paul McCartney e formado com ele uma das duplas de compositores mais importantes do mundo. Da mesma forma, ele não teria sido eleito pela BBC, em 2002, um dos cem mais consagrados britânicos dos últimos tempos.

Garoto problemático, de família problemática, com personalidade problematicíssima, John Lennon fez história quando, superando todas as expectativas, foi aceito na Liverpool College of Art. Lá conheceu Cynthia Powell, sua primeira esposa, de quem se separou para cair nos tablóides mundiais apaixonado por Yoko Ono, que havia, sem sucesso, tentado contato com o moçoilo em busca de financiamento para sua exposição. Além de taxada como patinho feio, Yoko carrega na bagagem, até hoje, a acusação de manipuladora, aproveitadora e grand culpada pela separação do quarteto que deu início à beatlemania.

Na primeira fase dos Beatles, John era responsável pela maioria das composições, até mesmo aquelas assinadas pela dupla Lennon/McCartney. Bastante influenciado por Bob Dylan, compôs músicas mais intimistas, destacando-se por seu engenho enquanto letrista e reconhecido por canções como “All you need is love“, “Strawberry Fields Forever“, “A day in the life” e “Across the Universe“, hoje título de um filme apenas com releituras contemporâneas das melodias dos moçoilos.

Após a separação dos Beatles, John lançou seu álbum John Lennon Plastic Ono Band. Fruto de intermináveis sessões de terapia, o disco vinha recheado de mágoas pelo fim da banda (O sonho acabou) e de manifestações céticas direcionadas à religião. No embalo, em 71, lançou o compacto IMAGINE, que consagrou a música de mesmo nome e a transformou em hino pela paz mundial.

Não fosse essa trajetória, no dia 8 de dezembro de 1980, Mark David Chapman não teria atirado em Lennon com uma pistola calibre 38 e permanecido, atônito, com “O Apanhador no Campo de Centeio” (J.D. Salinger) nas mãos. Segundo o assassino, o livro havia dado sinais metafísicos para que ele cometesse a barbárie e botasse um fim na vergonha causada por John ao abandonar os coleguinhas de banda. Chapman vive em cela privada, cumprindo prisão perpétua, em função das ameaças de morte que recebeu.

Ter medo dessa coisa de ser normal não era pauta terapêutica apenas em Liverpool.

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Subcutânea ® Das pequenas coisas ®

20 Comentários Add your own

  • 1. Enrico  |  08/12/2009 às 12:52 PM

    Maggie baby é cultura bloguística!

    Responder
    • 2. marjoriebier  |  08/12/2009 às 1:11 PM

      Enrico é deboche escrachado!

      Responder
  • 3. Rafael Dreweck  |  08/12/2009 às 1:04 PM

    Hoje cedo teve homenagem a JL aqui em Toulouse. O pessoal é apaixonado por Beatles, especialmente por ele. Estão nas ruas cantando, bebendo, distribuindo flores. Tudo alegando a continuidade aluta pela paz iniciada por ele e Yoko.

    Eu havia lembrado de ti.

    Responder
    • 4. marjoriebier  |  08/12/2009 às 1:15 PM

      Amado… pesquisar Beatles, especialmente John, sempre me lembra você. Guardo, com carinho, os discos e os livros que me deste. Aprendi muito sobre eles naquelas noitadas de trabalho ou nas noites frias de vinho e macarrão. E a ti agradeço.

      A pesquisa, para chegar ao texto de hoje, começou há alguns dias. Desde que bati o olho lembrei de ti, sem voz, cantarolando Good Day Sunshine.

      Amo muito e pra sempre.

      Responder
  • 5. Fábio Zen  |  08/12/2009 às 1:27 PM

    O qu é John Lennon?Subversão vigiada pela CIA?Um mito?Um embuste?Como todo grande personagem da cultura pop absorvido pelo inconsciente coletivo,é uma tábua em branco para se escrever o que quiser.

    Responder
    • 6. marjoriebier  |  08/12/2009 às 1:28 PM

      “Questão de opiniães”.

      Não concordo.

      Obrigadinha pela visita.

      Responder
    • 7. Marininha  |  08/12/2009 às 1:47 PM

      Também não concordo. Se fosse uma tábua em branco, não haveria tanta referência à história musical mundial citando John Lennon. Da mesma forma, acho que a pior subversão é aquela observada pela gente mesmo. Aquele que nos impede de fazer as coisas por medo do próprio julgamento (ou da incapacidade de romper fronteiras).

      Não sou Beatlemaníaca e entendo patavinas de John Lennon. Mas entendo de crítica sensata e, perdoe a intromição, acho que há um equívoco dos maiores nesse comentário.

      Responder
      • 8. marjoriebier  |  08/12/2009 às 2:00 PM

        Mari… menos, baby!

        Entendo o Fábio enquanto redator de uma crítica irônica (embora beeemmm perigosa) ao bombardeamento da sociedade capitalista pelos objetos de consumo da época. Tudo operava em torno de signos estéticos e foi massificado pela publicidade e pelo consumo. Acho que a falha está na afirmação do “inconsciente”, já que a manifestação pop é a maior referência do coletivo consciente (por Pierre Levy). Talvez daí a confusão na leitura.

      • 9. Ivan  |  08/12/2009 às 2:05 PM

        Jung e Durkein caindo na porrada aqui!
        Consciente ou Inconsciente?
        Façam as suas apostas!
        Ha!

        Beijocas!

      • 10. marjoriebier  |  08/12/2009 às 2:07 PM

        hahahaha!!!!

        Eu vou de Durkheim!!!

        Funcionalista SIEMPRE!!!!

  • 11.  |  08/12/2009 às 1:53 PM

    Bela pesquisa Mar! Também sou fã do John. Mas esquisita é essa ligação entre “O apanhador no campo de centeio” e crimes famosos. Se me lembro bem, o cara que atirou no Ronald Reagan também estava com um exemplar do Apanhador na mão.

    Beijo!

    Responder
    • 12. marjoriebier  |  08/12/2009 às 1:55 PM

      Livro maldito, Zé!!!

      Não é à toa que virou símbolo cult.

      Responder
    • 13. Clau  |  08/12/2009 às 4:55 PM

      By WIKIPEDIA:

      Chapman dizia identificar-se com o protagonista do livro, que odiava a falsidade, e desferiu cinco tiros acertando quatro nas costas de Lennon, porque o considerava um hipócrita, já que em suas músicas Lennon tratava de tristeza e pobreza, como se ele mesmo sofresse disso.

      Há uma teoria da conspiração que relaciona a CIA (Agência de Informações dos EUA) com o assassinato. Através de documentos revelados pela própria CIA, a conspiração ganha corpo ao classificar Lennon como um subversivo. Lennon estava na mira do governo estadunidense por se envolver em questões políticas, promover passeatas e influenciar o povo, deixando-os mais críticos quanto às questões de segurança nacional e à paz mundial.

      Responder
      • 14. marjoriebier  |  08/12/2009 às 4:59 PM

        hahahaha… Prestes também fez isso, mas empunhando a bandeira da alfabetização (não estou defendendo ideologia alguma, seus encrenqueiros!)

  • 15. Rafaela  |  08/12/2009 às 2:36 PM

    nipônicos são f*!!! (L)
    rs

    nunca curti bítols. gosto qdo algo tem uma bandeira, mas não é panfletário.
    mas, além do meu achismo, não tenho críticas a fazer, pq só costumo fazê-las qdo conheço o assunto. e como sequer ouvi músicas deles – exceto aquelas q nos chegam meio q por… força, nas rádios – me abstenho.

    beijobeijo

    Responder
    • 16. marjoriebier  |  08/12/2009 às 2:58 PM

      Tudo bem, Rafélis… curto por mim e por ti também!

      rsrsrs…

      beijo beijo

      Responder
  • 17. Luana  |  08/12/2009 às 5:28 PM

    Marjorie

    Sou capaz de te imaginar rindo e cantando, escondida, “tá cada vez mais down no right society”… rsrsrs…

    Cérebro afiadinho dá nisso, bonita. Nem todo mundo acompanha.

    Responder
    • 18. marjoriebier  |  08/12/2009 às 5:36 PM

      Meodeos!!!

      rsrsrsrs… Acho que, na verdade, estaria era cantarolando Sinatra:

      “I practice everyday
      to find some clever lines to say
      to make the meaning come true..”

      Beijooo

      Responder
  • 19. Marcelo Cruz  |  08/12/2009 às 7:34 PM

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    Eu li THE QUACKERMAN!!! Fiquei imaginando aquela embalagem amarela das aveias Quacker, com aquela figura bizarríssima tocando skiff entre Lennon e McCartney!!!

    hahahahahahahahahaha

    Responder
    • 20. marjoriebier  |  08/12/2009 às 7:38 PM

      Tu é uma lata, Marcelo!!!

      hahahahahahahahahahahahahaha…

      Por isso eu digo que ler não é só “acuierá” vogal e consoante…

      Responder

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