Do que resta ®

09/10/2009 at 12:24 PM 16 comentários

Irmã de mim mesma,

espiã sem honraria, mas afinal cedendo

à doce moeda do sangue,

ao falso sentinela do espelho.

Não estou toda aqui de onde falo.

Acho que me deixei em Roma, em Paris,

em Stevenson, em músicas e vozes,

numa especiaria em Istambul, nos olhos

de um canalha que eu amei, em dois

ou três amigos mortos.

Isto que resta vive.

Mas sabe que a urna está vazia.

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Análise sintática ® Carne de tigre com abobrinha ®

16 Comentários Add your own

  • 1. Régis Antônio Coimbra  |  09/10/2009 às 1:22 PM

    Clube

    Em parte desgastado
    em parte adulterado
    é bonito dizer
    que evoluo

    Sobrevivo
    em pena perpétua

    Fui eu mesmo o canalha
    que amei e traí
    o amigo que admirei
    corrompi e hoje estranho

    Sou eu mesmo
    ali no espelho
    com a máscara
    pegada na cara?

    Sou eu mesmo
    no templo
    invocando a mim
    mesmo sem
    nenhuma fé?

    Tive todos os sonhos
    do mundo e as belezas
    me sorriam íntimas

    Fui superior a tudo
    crítico dos maus
    admirador dos bons

    Fui humilde
    auto-crítico
    tive orgulho de levar na cara
    superior aos príncipes
    que eu denunciava

    Aliás…
    de quem pensas
    leitor hipócrita
    que estou falando?

    Eu sou o próximo
    como tu mesmo
    com sorte e esforço
    talvez serás

    Se já és
    bem vindo ao clube

    Responder
  • 2. Ricardo Valente  |  09/10/2009 às 1:24 PM

    Aos pedaços que ficam… À regeneração com cicatriz… Ao gosto do post… À você…
    Bom FERIADÃO, sofredora!!!
    Beijo!

    Responder
  • 3. Rafael  |  09/10/2009 às 1:31 PM

    Wow!!!

    Praticamente “morte em outra ilha”!!!

    Responder
  • 4. marjoriebier  |  09/10/2009 às 1:33 PM

    “Pipou”!!!

    Tô sofrendo, não…

    É só um poema retirado dos achados & perdidos da minha casa!

    besos

    Responder
  • 5. Miss  |  09/10/2009 às 2:01 PM

    Perfeito, querida.😉

    Já diz o poema (que ora dizem ser de Saint Exupéry, ora de Charles Chaplin) que “Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha e não nos deixa só porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.”, e acredito que é bem verdade, isso. Acredito que cada pessoa que entra em nossa vida, o faz com um propósito maior, quer seja de aprender algo, que seja de nos ensinar algo. Nada é em vão, ou por acaso.

    Maravilhoso o poema que você deixou pra mim lá no blog, viu? Adorei!

    Um beijão e bom fim de semana!😉

    Responder
  • 6. Miss  |  09/10/2009 às 2:02 PM

    Ops, faltou um R em “…queR seja de nos ensinar algo.”

    Desculpa! =*

    Responder
  • 7. Marininha  |  09/10/2009 às 2:04 PM

    mmmmmmmmmmm…. recomeçando, é?!

    Faz bem, fia!!!

    Responder
  • 8. Enrico  |  09/10/2009 às 2:48 PM

    Marjorie e suas palavras fúnebres… adoro esse lado dark escondido!

    Responder
  • 9. Gian Fabra  |  09/10/2009 às 4:34 PM

    Lovely.

    Responder
  • 10. Clara Morais  |  09/10/2009 às 6:00 PM

    Das profundezas… uau!

    Responder
  • 11. marjoriebier  |  09/10/2009 às 6:10 PM

    muahaha!!!

    Responder
  • 12. Roberto  |  09/10/2009 às 8:09 PM

    Por sorte estou em abstinência alcoólica por tempo indeterminado. Se continuar escrevendo desse jeito e tão profundamente (não são apenas coisinhas bonitinhas colocadas no papel), não me responsabilizarei pelos tombos nas sargetas.
    Muito Bom.

    Responder
  • 13. marjoriebier  |  09/10/2009 às 8:12 PM

    Aaahhh, Roberto… eu posso procurar um video a la Daniel San bebinho pra ti tb… rsrsrsrs…

    Responder
  • 14. Jens  |  09/10/2009 às 10:09 PM

    Quem disse que a poesia não é necessária? Boa poesia, como é o teu caso, é sim.

    Um abraço e um bom feriadão.

    PS: De minha parte, acho que me deixei no bar do Rick em Casablanca, entre músicas, vozes e cigarros.

    Responder
  • 15. Rafaela  |  10/10/2009 às 5:09 PM

    🙂

    pronfundo…

    *adorei a forma do texto; foi intencional? se não lembra urna, lembra um jarro, ao menos. rs

    beso!
    bom findi

    Responder
  • 16. daufen bach.  |  12/10/2009 às 2:40 PM

    Olá minha cara,

    o problema das urnas cheias é que não cabem mais nada. as urnaas vazias, porém, possuem infinitas possibilidades…

    abraço a ti e linda semana.

    daufen bach.

    Responder

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