Tateando estrelas distraídas ®

01/10/2009 at 12:06 AM 28 comentários

Sou blogueira desde 1997. Passei no vestibular um ano antes e, no seguinte, consegui um estágio em uma agência de publicidade. Não era afiada na arte, mas me divertia com os processos de criação. Fui jogada na redação. Assim mesmo, como se atirada a leões famintos na caverna mais escura que eu já vi.

Desde lá, tenho o Céu da Boca. Já andei pelo zipmail, blogspot e por alguns outros lugares que eu não lembro o nome agora. Há quase seis meses, estacionei no wordpress e, confesso, estou mais que satisfeita com os serviços daqui.

Como a aventura no mundo da escrita se resumia aos meus diários, precisei praticar. Sempre fui mais da prosa, do verbo escrachado, do que da poesia contida. Comecei errado, diga-se de passagem, rimando o desencontrado e tentando falar de amor. Levei bastante tempo para entender que, para mim, a palavra ía além dos limites da métrica.

Virei leitora compulsiva. De bula de remédio a épicos colossais. Naufraguei na desconstrução russa, busquei respostas no behaviorismo e só me encontrei diante da verdade crua.

Foi indo para a rua que aprendi a escrever. Descortinar os olhos e despojar-me dos preconceitos não me tornou mais amarga e dura, pelo contrário, livrou-me de percepções engessadas e de critérios embalsamados para a seleção do que cabia em minha respiração.

Abandonei o meu próprio umbigo e fui buscar nos olhos alheios as dores que, até então, não via além de mim. De lá pra cá, coleciono frases apartadas, crenças e esperanças mais rimadas do que alguns versos onde ainda tropeço.

Muitos blogueiros vieram antes e depois de mim. Não é novidade da espécie e nem pretensão supra-estelar. Mas, sei que, na cauda do mesmo cometa, tem gente voando entre constelações e construindo seus delírios boreais.

Aqui mesmo, nas Missões, tenho as estrelas que recolho e carrego junto no meu céu: o Eduardo Frizzo (macaco velho na estante virtual), o e a sua galáxia underground, o Fábio brincando com os fatos até onde a verdade consegue ir, o Roberto com suas crônicas e seus contos policiais, a Leila e sua janela furtacor e, agora, o Pio lavando a alma com sua poesia campesina.

Blogar deveria ser regulamentado como profissão. Não é todo dia que as palavras acordam formando uma paisagem ideal. Há manhãs, adormecidas, em que fiéis seguidores massacram a lacuna verbal.

Não existe destino, não existe formato, não existe Linha do Equador. Depois do primeiro enter, o vício é regra geral.

Vida longa aos blogueiros das Missões. Boa viagem, cosmonautas de plantão.

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Delivery for men ® Dos ciganos e outras ausências ®

28 Comentários Add your own

  • 1. Marininha  |  01/10/2009 às 12:24 AM

    Nos conhecemos em 2003, né!? E tu já era afiada lá no núcleo de redação da agência em Porto… causadora de inveja e discórdia… ahuahuahuahuahu… adoraaaavvvaaa os causos que o Enrico contava (a gente vai no Beco sexta… morra tu de inveja agora!)

    Responder
  • 2. Marcelo  |  01/10/2009 às 12:54 AM

    Acho que o blog é o meio de difusão mais eficiente da última década. Tanto para prosa como para poesia. Há de se tomar alguns cuidados, porque é uma mídia diferente e, como tal, devemos tratá-la conforme suas perspectivas.

    Para mim, aspirante a poeta e nada na vida, este meio contribui – de imediato – para uma comunicação com o leitor que, se fosse em 1920, eu não teria de forma alguma. E essa não-resposta de leitores já inibiria meu processo de evolução da linguagem, do que é certo e do que é errado.

    Não dá para pensar em comunicação sem pensar em blog, em algum momento este instrumento se faz necessário. Seja escritor, publicitário, dona-de-casa, poeta, músico, professor, etc.

    *

    PS: Cosmonautas? Há tempos que não ouvia/lia isso..

    Responder
  • 3. marjoriebier  |  01/10/2009 às 12:58 AM

    Marcelo… adoro palavras idosas, verbetes ancestrais…

    Responder
  • 4. Rafael Dreweck  |  01/10/2009 às 1:20 AM

    Essa mulher é de fé!!!

    Ela era redatora, eu um réles artefinalista… e ela acabava a parte dela e buscava café e ficava do meu lado, contando histórias mais que surreais, até altas horas das frias madrugadas da capital. E os jobs acabavam e eram aprovados e a gente bebemoraaaaava até amanhecer!!!

    Saudade da tua cumplicidade, do teu sorriso aberto, daquele abraço apertado!

    Responder
  • 5. Luana  |  01/10/2009 às 2:32 AM

    Já dei uma passeada pelos links que sugeriste. Muitas boas cabeças pela tua região. Está na água? rsrs

    beijo

    Responder
  • 6. Emerson Souza  |  01/10/2009 às 4:49 AM

    Todo mundo deveria escrever…respirar em forma de letras pode facilitar a vida de todo mundo.
    Bjus.

    Responder
  • 7. Enrico  |  01/10/2009 às 11:42 AM

    (risos)… eu lembro!

    Muitaaas vezes vi vocês (Raféu e tu, alemoa) saindo da agência… madruga, mas gargalhadas. Lembra aquela vez que a gente seguiu pro beco e dançou uma noite inteira só porque um trabalho colossal havia acabado???

    Bons tempos… também tenho saudade!

    Responder
  • 8. CARLOS SOARES  |  01/10/2009 às 11:59 AM

    Tenho certeza que você foi se fazendo, como você mesma relata.Brilhante explanação.Parabéns.Beijos

    Responder
  • 9. Ricardo Valente  |  01/10/2009 às 12:33 PM

    Como escreveste bem… tão bonito: “…na cauda do mesmo cometa, tem gente voando entre constelações e construindo seus delírios boreais.”

    Responder
  • 10. marjoriebier  |  01/10/2009 às 12:40 PM

    Você também tá junto nesse quase planeta, Marcelo…

    Bj bj

    Responder
  • 11. Clara Morais  |  01/10/2009 às 2:07 PM

    “Não existe regra, não existe formato, não existe Linha do Equador. ”

    Vale também pro amor…

    (e sei que essa tua relação com a palavra é, sim, uma relação de amor e ódio… lembro quando você disse que tinha medo de enlouquecer na palavra… por que não?)

    Responder
  • 12. agendapublicidade  |  01/10/2009 às 2:09 PM

    Aham… e que agência era essa??? Lá no auge dos 19/20… tu é lenda na agência, pirigueti!

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  • 13. Régis Antônio Coimbra  |  01/10/2009 às 4:11 PM

    Acho que iniciei uns três blogs mas nunca mantive nenhum, nunca fui assíduo. Nada sequer vagamente comparável à minha assiduidade no teu blog, lendo e escrevendo. É o amor ou, de certo ou errado modo, minha correspondência à tua generosidade (ou, enfim, amor) expressa por teu blog.

    Meu estilo eu chamaria de Abe Simpson (o um tanto gagá mas cheio de ricas reminiscências pai de Homer Simpson). Um místico ou um lacaniano (que têm muito em comum) diria que era meu destino ser Abe ou Homer para Marjorie. Embora minha pretensão inicial fosse ser Abraão, Lincon ou Homero, tenho orgulho de poder cometer minhas trapalhadas, lembranças ou associações livres aqui.

    Responder
  • 14. marjoriebier  |  01/10/2009 às 4:16 PM

    Mi blog es tu blog!

    Responder
  • 15. Zé Dylan Walker  |  01/10/2009 às 4:58 PM

    Eu criei o blog agora em junho, e o negócio vicia mesmo… Nesse curto espaço de tempo, já tentei liquidar com o sacana umas tantas vezes, mas ele sempre vence, tem a resistência do cigarro, que nunca apaga na chuva espessa…

    Beijo Mar! E valeu pela referência aí em cima!

    Responder
  • 16. marjoriebier  |  01/10/2009 às 5:57 PM

    Serão nossos blogs kamikases? Ou seremos nós? Ou não?

    (tsc tsc)

    Responder
  • 17. Rafaela  |  01/10/2009 às 6:13 PM

    haha viva!
    sobretudo àqueles que o cultivam com esta beleza! o/

    besos

    Responder
  • 18. Rafaela  |  01/10/2009 às 6:14 PM

    *e frequência, diga-se de passagem.

    Responder
  • 19. marjoriebier  |  01/10/2009 às 6:34 PM

    Haja fôlego, Rafita… por vezes, não dá meeeeeesmo!

    Responder
  • 20. Renata  |  01/10/2009 às 6:48 PM

    VIDA LONGA!
    Amém.

    Beijo,
    doce de lira

    Responder
  • 21. marjoriebier  |  01/10/2009 às 6:48 PM

    AMÉM!

    Responder
  • 22. Luciane  |  01/10/2009 às 6:49 PM

    “Blogar deveria ser regulamentado como profissão. Não é todo dia que as palavras acordam formando uma paisagem ideal. Há manhãs, adormecidas, em que fiéis seguidores massacram a lacuna verbal.”
    Fantástico isso, Marjorie. Eu quero ser blogueira e só!🙂

    Tuas palavras fluem com uma facilidade que dá gosto de ler. Amei aqui! Beijo!

    Responder
  • 23. marjoriebier  |  01/10/2009 às 6:51 PM

    Bem vinda, Luciane… que essa seja a primeira de muitas visitas por aqui!

    Bj bj

    Responder
  • 24. Jens  |  01/10/2009 às 7:27 PM

    E a aventura continua, MB, com a adesão diária de novos e intrépidos cosmonautas. Como diz, a música, o bom é que pra viajar no cosmos não precisa gasolina.

    Um beijo.

    Responder
  • 25. marjoriebier  |  01/10/2009 às 7:29 PM

    E dá-lhe Nei Lisboa embalando o post de hoje!

    Responder
  • 26. daufen bach.  |  02/10/2009 às 12:33 AM

    Olá marjoribier!

    eu sou novato com blogs, na verdade, final da gestação… logo nasço com um gemido, ou um grito, sei lá. Natimorto não… espero…rs.

    Abraço a ti.

    daufen bach.

    Responder
  • 27. Rubens  |  02/10/2009 às 2:34 PM

    legal, fico contente de estar entre tuas escolhas.
    essa exposição de motivos tá muito bem escrita, leve, delicada.
    gostei
    abraços

    Responder
  • 28. MissUniversoPróprio  |  03/10/2009 às 2:55 PM

    Muito interessante sua forma de pensar sobre os blogs e as palavras nele colocadas.

    Texto maravilhoso, as palavras se encaixam perfeitamente, como as gotas de água que formam o oceano a movimentar-se com suas ondas ritmadas e hipnotizantes.
    😉 Beijos!

    Responder

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