Ela te ama ®

07/09/2009 at 3:37 AM 16 comentários

No dia 7 de setembro de 1963, a música She Loves You, da dupla Lennon e McCartney, emplacou o primeiro lugar nas paradas britânicas e transformou os Beatles no grande fenômeno pop mundial. Os reis do iêiêiê enlouqueceram os continentes com seu gênero musical despretencioso e embalaram os fãs com o falsete de “uuus” que Isley Brothers já usava e os rapazotes proclamaram seus.

Marca de uma geração rebelde, a canção quebrou o conservadorismo enquanto os jovens deixavam seus cabelos crescerem, usavam roupas cada vez mais exatravagantes e que, eventualmente, chegariam ao psicodelismo total no verão de 1967.

Com uma letra escrita toda em terceira pessoa, a música não deixava de ser um sopro de esperança para o pobre coitado que havia levado um fora homérico e não sabia o que fazer da vida depois. Ora, veja só, amigo que se preze estaria ali, torcendo o lencinho e repetindo: “Qual é, cara?! Sai dessa! Seja feliz, ela te ama!”, mesmo que a menina não merecesse nem mais um pingo de atenção.

Depois de fazer o rapaz chorar um Niágara, a donzela arrependida encontrava um amigo e mandava um recado do gênero “sim, descobri que o amo. Oh, e agora!?”. Qualquer semelhança com fatos reais não é mera coincidência.

Sou adepta das coisas bem ditas para que sejam, por fim, benditas. Gosta? Vai lá e fala. Não gosta!? Passa a bola e sai da frente. Não tem coisa mais demodê do que ficar brincando com sentimento alheio. Minha avó, seus pais e os Beatles já sabiam disso, e tenho certeza que você também não quer ser o exemplo pós-moderno da figura que a música fala. Embora seja um hino à felicidade de um amor sofridamente correspondido, a dúvida gerada antes ainda me faz pensar na sinceridade do sentimento.

Amor verdadeiro é redundância. Ou é amor ou não é. Se vocês se amam e a coisa vai muito bem, obrigada, esqueçam o “yeah yeah yeah!” e partam para o abraço. She loves you é bom quando he loves you também.

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Entry filed under: Perplexidades.

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16 Comentários Add your own

  • 1. Marcelo Cruz  |  07/09/2009 às 3:58 AM

    Adoro Beatles! Felicidade é encontrar gente antenada e que mantém esses perdidos, como eu, ligados em datas que sequer imaginavam.

    Obrigado, Marjorie.

    Responder
  • 2. Renata  |  07/09/2009 às 3:58 AM

    “Amor verdadeiro é redundância. Ou é amor ou não é.”
    SUBSCREVO! : )

    Beijo, querida!
    E bom feriado!

    Responder
  • 3. fulviodetoni  |  07/09/2009 às 10:02 AM

    L’amour, hum hum, pas pour moi…..

    Responder
  • 4. Marininha  |  07/09/2009 às 3:45 PM

    Yeah!!! Minha beatlemaníaca favorita dando o ar da graça no feriado!!!

    Responder
  • 5. Rafaela  |  07/09/2009 às 4:42 PM

    marj,
    sou extremamente a favor do “Gosta?! Vai lá e fala. Não gosta!? Passa a bola e sai da frente”.
    nesse contexto, é o q acho q deve ser dito antes de ‘tudo’: “vai ser sério ou não vai?!”
    assim, fica-se às claras e ngm sai desiludido no final… [fase esta em desenvolvimento, mas já ao cabo: não vale a pena msm!]

    beijo

    *post novo.

    Responder
  • 6. marjoriebier  |  07/09/2009 às 4:53 PM

    “Desilusão, desilusão…
    danço eu
    dança você
    na dança da solidão…”

    Bj

    Responder
  • 7. Rafaela  |  07/09/2009 às 5:02 PM

    hahaha
    adorooo a musiquinha!

    Responder
  • 8. Enrico  |  07/09/2009 às 5:07 PM

    WITH A LOVE LIKE THAT
    YOU KNOW YOU SHOULD BE GLAD…

    Também gosto dos Beatles…

    Responder
  • 9. Bier  |  07/09/2009 às 5:53 PM

    Você escreve bem demais. Espero que exista refluxo genético.

    Responder
  • 10. marjoriebier  |  07/09/2009 às 9:05 PM

    Acho que é reflexo…

    =}

    Responder
  • 11. Jens  |  07/09/2009 às 9:29 PM

    Uau, MB, não sabia desta efeméride. Arriscando a despertar a ira dos nacionalistas, hoje vou trocar o Hino Nacional pelo som do Quarteto Fantástico de Liverpool.
    Um beijo e obrigado pela visita. Também gostei daqui.

    Responder
  • 12. marjoriebier  |  07/09/2009 às 9:45 PM

    Yeah! Yeah! Yeah!

    srsrsrssr

    Responder
  • 13. Régis Antônio Coimbra  |  07/09/2009 às 9:47 PM

    Amor pode ser verdadeiro e não ser suficiente. Acontece de pessoas se separarem por amor recíproco. Ela te ama, sim… e te largou para o teu próprio bem”. Ou: “ela te ama… mas não a ponto de abrir mão de estar contigo, mesmo que isso te claramente faça mal”.

    Amor é uma coisa misturada. Envolve hábito, inércia e egoísmo mesquinho tanto quanto paixão, identificação e magnânimo bem querer.

    Fui verdadeiramente amado por algumas mulheres que reclamavam muito de mim, choravam por eu ser insensível, cruel, pouco ou nada romântico… Em parte eu considerava tolice. Em parte reivindicações legítimas que eu não tinha como atender.

    O fato é que em parte o amor que eu sentia por elas tornava difícil persistir, ainda que eu gostasse delas. Em parte o fato de eu gostar delas não superava ou lá pelas tantas deixou de superar o tanto que elas me aborreciam.

    Nunca esquecerei de uma que reclamava de praticamente tudo o que eu fazia ou era e, ao mesmo tempo, dizia que eu era o homem da vida dela. Acredito que era sincero… mas a vida que ela queria para si era horrível (para ela e para mim). Apesar de amá-la ou por isso mesmo, separei-me.

    Ela pediu para voltar prometendo reclamar menos… e aceitei, expressamente observando que só o faria para que ela se convencesse de que não tinha jeito, que ela não conseguiria fazer diferente e que a vida era um inferno daquele jeito. Pouco mais de um mês depois, ela mesma decidiu romper… garota esperta.

    Tempos depois ela me telefonou, bêbada, dizendo novamente que eu era o amor da vida dela. Disse que até podia ser, mas não no sentido de ser o homem que lhe faria bem por perto. Enfim… coisas paradoxais que fazemos por amor: separar… para próprio (em primeiro lugar, claro) e alheio bem.

    No começo é difícil se separar. Nesse sentido, é aceitável usar de alguns artifícios para conseguir se separar. Por exemplo: “ah, sim… ela me ama… Pois que pegue esse amor e se enforque nele!” Com o tempo se rompe a inércia que periga retroceder ou nem se separar e se pode voltar a uma atitude carinhosa e generosa, hehe.

    Mas cuidado com as recaídas! Pois passado algum tempo podemos esquecer o que havia de errado e só lembrar do que havia (e até do que nem havia) de bom.

    Responder
  • 14. marjoriebier  |  07/09/2009 às 9:53 PM

    Não acredito nessa história de amor de uma vida. Gosto de imaginar que existem amores para determinados momentos da vida. Uns duram, outros não. Os prazos de validade não são os mesmos, assim como os romances também não são. Manoel de Barros já dizia: os amores nem sempre perfeitos e nem todas as ervas daninhas. Concordo com ele.

    Responder
  • 15. Régis Antônio Coimbra  |  07/09/2009 às 10:10 PM

    Concordo. O amor romântico é uma invenção da era vitoriana (era de uma rainha que ficou viúva muito cedo… o que ajudou a permanecer apaixonada).

    É um clássico problema decorrente de relativa prosperidade. Antes do amor romântico, era o casamento. Tempos difíceis em que as mulheres morriam antes do que os homens devido ao esforço brutal dos partos somado ao risco de morrer de diarréia ao beber água não tratada, tosse e até por uma ferida no dedão que dava em gangrena, ou de dor de dente – levando ao suicídio ou também a uma reação inflamatória violenta demais.

    O século passado viu e o atual ainda não deu uma solução para esse problema, que se consolida numa (apesar da percepção no sentido oposto) prosperidade cada vez maior. O casamento tinha de ser pelo resto da vida pois era necessário ou um risco muito grande. Hoje o risco é teimar no casamento.

    Pode até perdurar (sem trocadilhos com o soneto da fidelidade). Mas não se pode cobrar que dure como critério de sucesso. Cinco anos é um prazo otimista. Acho mais razoável pensar em termos de semestres… sempre contados a partir do presente (ou seja, se sei, hoje, que não quero continuar por mais seis meses… melhor separar hoje). Assim se podem passar anos, ou menos de um mês ou noite, hehe…

    Responder
  • 16. marjoriebier  |  07/09/2009 às 10:12 PM

    Assim acho mais fácil concordar com vc!

    Responder

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