Refém ®

05/08/2009 at 1:01 PM 11 comentários

Tenho ao lado da cama, há exatos 15 dias, uma bela edição do Caio Fernando Abreu. Protelo a leitura com medo de ter que fechar o livro e esquecer tudo o que li. Gosto da prosa fluida, sinto-me ali em essência. Catalogada, observo me abandonar depois que a capa do livro se fecha e fica o tom solene e funesto pairando ao redor de mim.

Coleciono livros inacabados. Leituras nunca findadas. Finais felizes e outros nem tanto a espera de meus olhos cansados. Sou refém de páginas nunca lidas por medo do vazio do depois. Faço das palavras alheias um píer pra me precipitar. E quase vou.

Passo horas imaginando rostos, sequências em slow. Determino cheiros, paisagens e rituais que depois são abortados de mim. Perco o essencial daquilo que me vê e me transfere sem os modernos apetrechos digitais. Sou uma órfã sem esperança literária de adoção.

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Entry filed under: Perplexidades.

Três pontinhos ® Presente de um homem que eu ainda não amei*

11 Comentários Add your own

  • 1. Fúlvio Detoni  |  05/08/2009 às 2:33 PM

    adoro voar por aqui e sentir a cultura fluir…..

    besos……

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  • 2. Marcelo Cruz  |  05/08/2009 às 2:55 PM

    Sempre uma grata surpresa: “Faço das palavras alheias um píer pra me precipitar. E quase vou.” Muito bom!

    Responder
  • 3. Enrico  |  05/08/2009 às 4:26 PM

    Marjorie Bier cozinha, toca piano e violão, cita Kundera de manhã, fala inglês-francês-espanhol e não consegue acabar os livros que mais gosta. Vai entender…

    Responder
  • 4. Andréa  |  05/08/2009 às 4:53 PM

    Marpoesia!

    Caio, ADORO, ADORO, ADORO!

    Beijos!!

    Responder
  • 5. Marina  |  05/08/2009 às 5:44 PM

    Mar… sempre, né neguinha? Lembro daquele fernando pessoa mofando na tua cabeceira… rsrsrs… tão bom te ler. E acabar. E não ser orfã e nem refém… amiga de fé e irmã camarada. Basta a mim!

    Responder
  • 6. Ricardo  |  05/08/2009 às 7:29 PM

    Acertou o ponto exato na prosa. Todos adoram histórias sem fim…

    Responder
  • 7. marjoriebier  |  05/08/2009 às 7:33 PM

    Melhor que um fim sem a história, né fio!?

    Responder
  • 8. mari  |  05/08/2009 às 10:44 PM

    “Faço das palavras alheias um píer pra me precipitar. E quase vou.”
    Lindo!Mas o pier tbem e’ um porto seguro para se aportar.
    Muito bom teu cantinho, e finais ah melhor seempre inventa-los e reinventarmo-nos.
    Bjs

    Responder
  • 9. Talita Prates  |  06/08/2009 às 7:43 PM

    Também sofro desse tipo de “sequestro” e “orfandade”!
    Belíssimo texto, Marjorie!
    Muito obrigada por tua visita ao meu blog.
    Volte sempre: serás bem-vinda.
    Bjo e paz.

    Responder
  • 10. Renata  |  08/08/2009 às 11:51 PM

    Que bonito, Marjorie…

    Sublinhe os trechos preferidos,
    marque as páginas,
    faça notas!
    Fechar o livro
    não significa enterrá-lo
    e esquecê-lo. : )

    Um beijo,
    doce de lira

    Responder
  • 11. Rafaela  |  20/08/2009 às 8:20 PM

    adorooo Caio F.! e tenho a mesma mania! ah, pára, cara! rs

    Responder

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